Polícia

Policial morto tinha acabado de reformar casa e família culpa Lei de Abuso de Autoridade

Policial morto em Campo Grande não algemou assassino por medo da Lei de Abuso de Autoridade e não vai aproveitar casa que acabou de reformar.

Thatiana Melo Publicado em 10/06/2020, às 09h22 - Atualizado às 15h31

(Leonardo França, Midiamax)
(Leonardo França, Midiamax) - (Leonardo França, Midiamax)

Com tristeza e sentimento de impotência e injustiça, o irmão do policial civil Jorge Silva dos Santos, 50 anos, que foi executado a tiros nesta terça-feira (9), em Campo Grande, falou sobre a Lei de Abuso de Autoridade que proíbe a utilização de algemas em testemunhas, na manhã desta quarta-feira (10) durante o velório do policial.

Marcos Silva, de 45 anos, é motorista e irmão de Jorge. Ele relatou que o policial era reservado principalmente por causa da profissão. Portanto, segundo ele, quase nem saia da casa, que havia terminado de reformar há apenas dois meses.

“Agora nem vai poder aproveitar a reforma da casa”, lamentou.

Lei de Abuso de Autoridade expõe policiais

Ainda sobre o fato do policial ser assassinado por causa da falta de algemas em Ozéias, o irmão do policial culpou a Lei de Abuso de Autoridade sancionada pelo presidente Jair Messias Bolsonaro.

“Lei? Tinha de mudar essa lei. E, por causa disso, perderam a vida”, lamentou Marcos. “Como você coloca dois suspeitos no banco de trás sem algemas… assim fica difícil trabalhar”, concluiu.

O policial civil aposentado, Carlos Alberto, com quem Jorge trabalhou nas especializadas da Derf e na Defurv contou ao Jornal Midiamax que a morte do amigo é uma perda irreparável, e que era um policial muito ‘parceiro e inteligente’. Genésio Neves, outro policial aposentado lamentou a morte do colega, “Agora só estamos nos encontrando em velórios”, lamentou.

Assassinato de policiais

Os policiais Antônio Marcos Roque da Silva, de 39 anos e Jorge Silva dos Santos, 50 anos foram executados a tiros na tarde desta terça-feira (9) em Campo Grande. Eles foram assassinados quando investigavam um furto de joias em uma residência na Euclides da Cunha.

Eles foram assassinados com tiros na cabeça, por Ozéias Silveiras Morais,que acabou morto em confronto durante a madrugada desta quarta-feira (10). Willian Duarte Cormelato que estava junto na viatura descaracterizada e era suspeito também do furto acabou encontrado no bairro Guanandi.

A Polícia Civil de MS publicou nota de pesar pela morte dos dois servidores.

Jornal Midiamax