Polícia

Chorando, cafetina mantém versão de terceira pessoa em motel em assassinato de ex-servidor da Sefaz

Chorando durante seu depoimento no julgamento, que acontece nesta sexta-feira (13), em Campo Grande, Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, 28 anos, acusada de matar o ex-superintendente da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), disse que nuca cometeria o crime, já que Daniel era seu amigo. “Eu jamais mataria o Daniel, ele era meu amigo”, disse […]

Thatiana Melo Publicado em 13/11/2020, às 09h55 - Atualizado às 10h04

(Henrique Arakaki, Midiamax)
(Henrique Arakaki, Midiamax) - (Henrique Arakaki, Midiamax)

Chorando durante seu depoimento no julgamento, que acontece nesta sexta-feira (13), em Campo Grande, Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, 28 anos, acusada de matar o ex-superintendente da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), disse que nuca cometeria o crime, já que Daniel era seu amigo.

“Eu jamais mataria o Daniel, ele era meu amigo”, disse Fernanda aos jurados que ainda afirmou que a vítima frequentava a sua casa. No dia do crime, Fernanda disseque tinha uma terceira pessoa dentro do quarto de motel, que seria um homem que estava fazendo uma cobrança contra Daniel.

Fernanda falou que antes de ir para o motel com Daniel, ela foi perseguida por um carro Citroen que a fechou sendo que uma pessoa entrou no carro dela e o outro motorista passou a segui-la. Eles teriam ordenado que ela ligasse para o Daniel que seria levado para o motel.

“Eu estava um pouco perto do banheiro. Eles entraram em luta. Ele pegou a toalha para limpar o chão. Eu poderia gritar socorro, chamar a polícia, mas eu fiquei com medo, muito medo”, disse Fernanda sobre o momento do assassinato. A defesa dela irá pedir por absolvição baseada em provas que de acordo com os advogados provam a inocência da cafetina.

Jenifer Guimarães, de 28 anos, que foi casada por quatro anos e seis meses com a Fernanda, foi ouvida como declarante. “A Fernanda nunca usou droga e jamais admitiria uma coisa dessa”. Jenifer ainda falou durante o julgamento que Fernanda é uma pessoa boa, trabalhava bastante, amorosa e carinhosa. Defesa teria perguntado se ela seria capaz de matar por ciúmes. “A Fernanda nunca foi uma pessoa ciumenta”, finalizou.

Prisão

Fernanda foi presa no dia 20 de novembro. Ao ser interrogada em juízo, ela negou as acusações, imputando o crime a uma terceira pessoa que teria obrigado ela atrair a vítima para o motel.

Para a acusação, Fernanda agiu por motivo torpe, para se vingar da vítima que teria assediado a convivente dela e também porque Daniel teria assediado outras ex-namoradas da cafetina. Ainda conforme a acusação, ela usou de dissimulação, pois teria convidado a vítima para fazer sexo e, de posse de uma faca escondida, desferiu os golpes.

O assassinato

O crime aconteceu em Campo Grande, no dia 18 de novembro de 2018. Conforme relatos de funcionários do motel, localizado no bairro Noroeste, em Campo Grande, Fernanda chegou ao local conduzindo o veículo Pajero, acompanhada por Daniel, no banco do passageiro. “Ela estava nervosa e ele parecia estar tranquilo”, informaram.

A mulher seguiu para o quarto, mas demorou menos de 30 minutos para pedir a conta. Ao ver que Fernanda saiu, a recepcionista afirmou que ligou para a camareira e questionou se estava tudo bem, já que não viu Daniel no banco do passageiro. A camareira relatou que o quarto estava cheirando sangue e que Fernanda pagou com três notas de R$ 50 com algumas manchas de sangue.

O corpo de Daniel foi localizado em meio a um matagal próximo a Uniderp Agrárias, enrolado em uma toalha, com a pele muito branca e pés enrugados. O carro foi localizado em Bonito e Fernanda foi presa no dia 20 de novembro após ser expedido mandado de prisão contra ela.

A Polícia Civil trabalhou com apoio de imagens de câmeras de segurança, em momentos que mostram Fernanda na casa de Daniel e depois os dois saindo na Pajero, sentido ao motel, onde aconteceu o crime. Também foram localizadas mensagens trocadas por eles via WhatsApp.

A polícia afirma que Fernanda entra em contradição muitas vezes em relação ao crime. Primeiro, afirmando que matou ele sozinha no carro por ser assediada por Daniel várias vezes. Depois, a mulher diz que estava sendo ameaçada por um homem e foi forçada a cometer o crime. Na época dos fatos, a polícia informou que Fernanda não teria força suficiente para matar Daniel, que pesava 80 quilos e carregá-lo até o porta-malas, cogitando a possibilidade de um comparsa.

Jornal Midiamax