Polícia

Após matar ex-servidor da Sefaz, cafetina pagou motel com notas sujas de sangue

Funcionários do motel onde o ex-superintendente da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), Daniel Abuchain, foi assassinado a facadas e pauladas, afirmaram que Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, 28 anos, pagou o motel com notas sujas de sangue. O crime aconteceu em Campo Grande, no dia 18 de novembro de 2018. “Ela pagou com três […]

Dayene Paz Publicado em 12/02/2019, às 17h16 - Atualizado em 13/02/2019, às 13h40

Corpo foi colocado em veículo e deixado próximo a região de Universidade. (Foto: Reprodução/Divulgação)
Corpo foi colocado em veículo e deixado próximo a região de Universidade. (Foto: Reprodução/Divulgação) - Corpo foi colocado em veículo e deixado próximo a região de Universidade. (Foto: Reprodução/Divulgação)

Funcionários do motel onde o ex-superintendente da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), Daniel Abuchain, foi assassinado a facadas e pauladas, afirmaram que Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, 28 anos, pagou o motel com notas sujas de sangue. O crime aconteceu em Campo Grande, no dia 18 de novembro de 2018.

“Ela pagou com três notas de R$ 50 e disse que estava com pressa”, afirmou uma das testemunhas, ouvida em audiência nesta terça-feira na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

A audiência durou cerca de 1h40 e foi marcada pela tensão de Fernanda, que assistiu aos depoimentos, chorou e chegou a interferir dizendo ‘eu estava sendo ameaçada’.

Dia do crime

Conforme os relatos de três funcionários do motel, localizado no bairro Noroeste, em Campo Grande, Fernanda chegou ao local conduzindo o veículo Pajero, acompanhada por Daniel, no banco do passageiro. “Ela estava nervosa e ele parecia estar tranquilo”, informaram.

Fernanda pediu um quarto, mas seguiu para o quarto errado, sem pegar a chave. “Eu peguei a chave e levei até ela, indicando onde era o quarto. Ela me perguntou se já podia fazer o pagamento antecipado e eu informei que não”, informou uma camareira.

A mulher seguiu para o quarto, mas demorou menos de 30 minutos para pedir a conta. “Demorou 26 minutos, ela me pediu a conta e para comprar uma toalha. Ela pagou na janelinha do quarto e também pediu para que eu deixasse o portão aberto”, relata a recepcionista.

A recepcionista disse que esperou que a camareira fosse até o quarto para liberar Fernanda. “Enquanto eu não abri o portão, ela não desceu com o veículo, ficou esperando de longe, mas eu vi o banco do passageiro abaixado, sem ninguém”, conta a recepcionista. Ela fala que ligou para a camareira e questionou se estava tudo bem, já que não viu Daniel no banco do passageiro.

A camareira relatou que o quarto estava cheirando sangue e que Fernanda pagou com três notas de R$ 50 com algumas manchas de sangue. “Fechamos o quarto e entramos porque estávamos com medo de ter alguém lá dentro, mas assim que entrei na garagem vi marcas de sangue na parede e pingos no chão”, disse um funcionário.

A cama estava intacta, o cheiro forte vinha da maior parte do banheiro, relataram os funcionários, que em seguida informaram o fato para o proprietário do motel. “Passou 15 minutos e um policial chegou com uma toalha, a que ela comprou do motel, toda suja de sangue”, revela a recepcionista.

Investigação

Cinco policiais também foram ouvidos na audiência. Um deles relatou que o corpo foi localizado em meio a um matagal próximo a Uniderp Agrárias, enrolado em uma toalha, com a pele muito branca e pés enrugados. “Provavelmente estava em um ambiente molhado”, confirmou um investigador.

O carro foi localizado em Bonito e Fernanda foi presa no dia 20 de novembro após ser expedido mandado de prisão contra ela.

A Polícia Civil trabalhou também com apoio de imagens de câmeras de segurança, em momentos que mostram Fernanda na casa de Daniel e depois os dois saindo na Pajero, sentido ao motel, onde aconteceu o crime.

Também foram localizadas mensagens trocadas por eles via WhatsApp. “Eles se conheciam e se encontravam as vezes”, relatou um investigador.

Todos os investigadores relatam que Fernanda entra em contradição muitas vezes em relação ao crime. Primeiro, afirmando que matou ele sozinha no carro por ser assediada por Daniel várias vezes. Depois, a mulher diz que estava sendo ameaçada por um homem e foi forçada a cometer o crime. “Ela está tentando encobrir alguém, talvez por medo, a gente não sabe”, relatou um dos investigadores de polícia.

A polícia não tem dúvidas da participação de outra pessoa no crime, já que Fernanda não teria força suficiente para matar Daniel, que pesava 80 quilos e carrega-lo até o porta-malas. Também não cometeria o crime e limparia o quarto em menos de 30 minutos sozinha. As investigações continuam para identificar esse suspeito. “A Fernanda não falou toda a verdade sobre esse fato”, finalizou o investigador.

O juiz Aluízio Pereira dos Santos estipulou cinco dias para que a defesa arrole testemunhas. A próxima audiência acontece no dia 11 de março, quando Fernanda será ouvida.

Investigação esquema de terceirizados

Daniel era investigado por supostamente participar de um esquema de terceirizados denunciado em 2016 pela força-tarefa do MP-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul). Na ação impetrada, o Ministério Público alegou que Mário Sérgio Maciel Lorenzetto,  ex-secretário de Fazenda, o ex-adjunto da pasta André Luiz Cance, e o ex-superintendente de Gestão da Informação Daniel Nantes Abuchaim, a Itel Informática, bem como seu proprietário, o empresário João Baird teriam recebido mais de R$ 252.529,996 milhões do Executivo estadual com serviços terceirizados, em sua maioria de forma irregular.

Jornal Midiamax