Polícia

Mulher que esmagou cabeça de idosa disse que foi vítima de emboscada

Pâmela Ortiz de Carvalho, principal suspeita de matar Dirce Santoro Guimarães Lima, 79 anos, contou, após cometer o crime, que teria sido vítima de um assalto e até uma suposta ‘emboscada’. A suspeita ligou para um investigador de Polícia Civil, com quem teve um relacionamento, para pedir ajuda logo após o suposto assalto. O policial […]

Dayene Paz Publicado em 06/05/2019, às 17h52 - Atualizado às 18h30

Foto: Divulgação.
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Pâmela Ortiz de Carvalho, principal suspeita de matar Dirce Santoro Guimarães Lima, 79 anos, contou, após cometer o crime, que teria sido vítima de um assalto e até uma suposta ‘emboscada’. A suspeita ligou para um investigador de Polícia Civil, com quem teve um relacionamento, para pedir ajuda logo após o suposto assalto. O policial foi ouvido em audiência, nesta segunda-feira (6), na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.

“Ela falou que estava com a senhora dentro do carro e foram abordadas por um motociclista, que anunciou um assalto. Ela falou que a dona Dirce acabou colaborando com esse motociclista, ela deu a entender que tinha sido vítima de uma emboscada, e que a idosa levou ela. Como a Pâmela mentia muito, então não queria me envolver, falava para ela ligar para o pai que é PM aposentado”, informou o investigador.

Durante a audiência, cinco pessoas foram ouvidas. Uma vizinha de Dirce afirmou que após o crime, Pâmela chegou a procurá-la, para saber notícias da idosa. “Ela disse que estava preocupada e não sabia o paradeiro da Dirce”, afirmou a vizinha.

Um agente de saúde, que sempre visitava a idosa também foi ouvido em audiência. Ele tinha contato com a idosa há seis anos e a acompanhava, já que ela tinha problemas de saúde como diabetes e pressão alta. “Sempre ligava para saber se estava tomando o remédio certinho”, relatou. O agente disse que sabia que Pâmela tinha algum relacionamento com Dirce, mas estranhava a atenção especial que ela dava para a idosa. “A Pâmela se preocupava mais com a dona Dirce do que com os próprios filhos, mas eu estranhava porque ninguém faz nada de graça”.

Dia do crime

O crime aconteceu no dia 23 de fevereiro deste ano, data em que o policial estava de plantão, quando Pâmela ligou chorando e falou que foi vítima de um assalto. Após contar sua versão, que não o convenceu, ele foi até um local solicitado por ela, próximo a um motel na região da Vila Popular. “Parei meu carro atrás do dela, desci e conversamos, percebi que ela estava nervosa, com uma mancha no braço e na barriga. Então depois dela contar do assalto disse, já que você é vítima, liga para seu pai ou para o Samu”, contou o investigador.

Ela então disse que deu um golpe de machadinha em um suposto motoqueiro que anunciou um assalto. “Ela disse que nesse momento a idosa tentou ajudar o motoqueiro. Não acreditei, porque sabia que ela tinha muita dívida com agiota e imaginei que alguém a cobrou e ela entrou em luta corporal com essa pessoa”, afirmou. Após presa, Pâmela chegou a fazer uma ligação para o policial, pedindo para que ele não a abandonasse. “Ela disse que ficaria sem pai, sem filho, mas não ficaria sem mim”, terminou o policial.

Um irmão de Pâmela também prestou depoimento, este que foi acompanhado pela suspeita, que chegou algemada na sala de audiência. Ele contou que a irmã apresentava comportamento bipolar, mas nunca procurou se tratar. A mãe de Pâmela foi liberada da audiência, já que estava bastante abalada.

Compras no cartão

Ainda, conforme depoimento, Dirce chegou a pedir ajuda para o agente de saúde, após receber cobranças do cartão de crédito. “Falei para ela entrar em contato com a operadora do cartão e ela descobriu compras em várias lojas”. Pâmela também tomou a frente da vida financeira de Dirce, como resolver pepinos da conta de água ou luz. “Certa vez chegou um cartão que estava bloqueado, a Pâmela levou ela para desbloquear e ficou com o cartão”, contou o agente.

Estágio na Derf

O investigador de polícia afirmou que Pâmela estagiou na Derf (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos) no ano de 2015, onde eles se conheceram. “Um relacionamento aberto”, segundo ele. No entanto, ele tentava se afastar, quando começou a perceber que ela podia o envolver em algum problema. “Esteve envolvida em furto de cheques sem fundos na delegacia, que ela pegou e passou para frente. Tentava me afastar porque sabia que ela era problemática e que podia me envolver em alguma situação”, contou o policial.

A defesa de Pâmela afirmou que ela não nega a autoria, mas a versão que consta no inquérito policial, não condiz com os fatos. “Ela nunca negou, mas não foi desse jeito”, afirmou o advogado Edmar Soares, que também vai pedir exame de sanidade mental para Pâmela.

Entenda

Mulher que esmagou cabeça de idosa disse que foi vítima de emboscadaA idosa foi morta com pancadas na cabeça no dia 23 de fevereiro e teve o corpo jogado por Pâmela no terreno de uma fábrica no Indubrasil. Nesse dia, Pâmela chegou na residência da idosa, localizada no bairro Santo Antônio, ajudou ela entrar no veículo, depois seguiu, segundo Pâmela, para um mercado nas proximidades. Dentro do carro começou um desentendimento, já que a idosa teria descoberto que Pâmela pegou o cartão de crédito e afirmou aos vizinhos que iria dar um aperto para que ela Pâmela.

Durante o desentendimento, Pâmela disse que levaria Dirce para Terenos para que ela se acalmasse. “A suspeita disse que já teria ido para Terenos outras vezes, para passear com a idosa”. Durante o trajeto, quando o carro estava em baixa velocidade, Pâmela contou que a idosa teria se jogado do veículo e bateu a cabeça no meio fio. “Se dizendo nervosa, ela começou as agressões que terminaram na morte da idosa”, afirma a delegada Cristiane Grossi, da 7ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

Depois, Pâmela colocou o corpo embaixo de uma árvore. Para a polícia, Pâmela é fria e dissimulada. Durante o tempo que esteve na delegacia, mentiu e tentou enganar até os policiais que estavam na investigação. “Ela chegou aqui por causa do desaparecimento da idosa. Durante o interrogatório fomos vendo o quanto era fria, dissimulada e mentirosa”, afirmou o delegado Dimitri Palermo, da 7ª DP.

Jornal Midiamax