Polícia

Mães de internos protestam e denunciam sujeira e tortura na Unei de onde 26 fugiram

Na manhã desta terça-feira (17), mães de internos da Unei (Unidade Educacional de Internação) Dom Bosco que fugiram na madrugada de segunda-feira (16) se reúnem na frente do Fórum de Campo Grande. Elas pretendem procurar a Defensoria Pública para pedir ajuda e cobrar melhorias na unidade. A princípio quatro mães estão no local, já que […]

Renata Portela Publicado em 17/12/2019, às 10h55 - Atualizado às 16h07

Mães se reuniram na frente do Fórum (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)
Mães se reuniram na frente do Fórum (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax) - Mães se reuniram na frente do Fórum (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Na manhã desta terça-feira (17), mães de internos da Unei (Unidade Educacional de Internação) Dom Bosco que fugiram na madrugada de segunda-feira (16)se reúnem na frente do Fórum de Campo Grande. Elas pretendem procurar a Defensoria Pública para pedir ajuda e cobrar melhorias na unidade.

A princípio quatro mães estão no local, já que outras trabalham ou têm medo de sofrerem represálias por parte dos agentes da unidade. Patrícia Guimarães, de 39 anos, é mãe de um jovem de 18 anos que ainda cumpre pena na Unei por quebra de serviço comunitário. O filho foi um dos que fugiu e ela revelou que só soube da fuga pela mídia.

Segundo Patrícia, a direção da Unei não entrou em contato com as mães para falar sobre a fuga. Elas chegaram a procurar a unidade, mas não foram recebidas e ainda foram informadas “Agora é com a polícia e eles não vão ter dó”. Ela contou para a equipe de reportagem do Midiamax que a estrutura da Unei Dom Bosco está em péssima situação.

Mães de internos protestam e denunciam sujeira e tortura na Unei de onde 26 fugiram
Unei Dom Bosco (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Além disso o local é sujo, nos finais de semana restos de marmita se acumulam nas laterais da Unei e também normalmente falta água na unidade. Segundo ela uma vez os internos ficaram três dias sem água. O relato sobre a falta de água também foi feito por agentes na segunda-feira. Sobre a alimentação dos adolescentes, as mães foram pontuais. “Parece lavagem”.

Em duas ocasiões, na comida, já teriam sido encontrados um dente e uma lesma. Elas ainda contaram que alguns agentes chegam a torturar os jovens. O filho de Patrícia está na Unei Dom Bosco há sete meses e é um dos fugitivos, mas ela nega que seja faccionado e também afirma que não sabia da fuga e que o filho não queria indulto de Natal para terminar de cumprir a pena mais rápido.

Rosimeire da Silva, de 44 anos, mãe de um adolescente de 15 anos que cumpre pena na Unei e também fugiu afirma que ele não aguentava mais ficar lá. Ele também cumpre pena por quebra de serviço comunitário e disse que sofria muito. A mãe contou que o local é muito sujo, tem muitos insetos e alguns meninos dormem no chão.

“Tem mãe que não está dormindo porque não sabe como ou onde estão”, relatou Cristiane da Silva, de 38 anos, mãe de um adolescente de 15 anos que também fugiu da Unei. As mães relataram que foram questionadas sobre a localização dos jovens, mas não sabem onde eles estão e não puderam colaborar com a polícia.

Conforme a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), 25 adolescentes continuam foragidos.

Fuga e agressão a agente

“Vivemos momentos de terror”, relatou o agente de 50 anos que há 19 trabalha nas unidades de Campo Grande. Ele contou ao Midiamax que os adolescentes do Pavilhão B simularam que um dos internos era espancado e os agentes de plantão, 5 no total, foram intervir. “Quando chegamos na cela, o cadeado já estava aberto”, contou.

Mães de internos protestam e denunciam sujeira e tortura na Unei de onde 26 fugiram
Agente foi agredido (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Ao menos 20 adolescentes já estavam no corredor e começaram a agredir os agentes. Ele foi feito refém, algemado e espancado com golpes de barra de ferro na cabeça. Durante o motim os internos ainda jogaram um produto químico nos olhos do agente. Alguns adolescentes fugiram pelo portão, com as chaves dos funcionários, enquanto outros pularam o muro.

Ao todo 26 fugiram, sendo que um foi recapturado ainda nas proximidades. “Não morremos por sorte, porque eles queriam matar todos nós”, relatou ainda outro funcionário. Com a fuga ainda foi exposta a falta de segurança na unidade, onde os agentes trabalham desarmados e ainda há falhas nos sistemas de monitoramento.

Jornal Midiamax