Polícia

MP-MS investiga se agentes ajudaram em fuga de detenta suspeita de corrupção

Detenta foi recapturada no mesmo dia em fuga para o Paraguai

Joaquim Padilha Publicado em 08/06/2018, às 07h49 - Atualizado às 08h54

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O MP-MS (Ministério Público Estadual) está investigando se houve participação de agentes penitenciários na fuga de uma detenta do Estabelecimento Penal Feminino de Ponta Porã, ocorrida no natal de 2017.

Cleonice Santos Neris, 34 anos, teria fugido do presídio no dia 25 de dezembro do último ano. Ela foi recapturada no mesmo dia, após ter sido encontrada por policiais tentando fugir para o Paraguai.

Na fuga, Cleonice contou com a ajuda de um homem, Euripedes Saragoca Júnior, 57 anos, que dirigia o veículo com direção ao Paraguai. Segundo depoimento prestado à Polícia, o senhor afirmou que recebeu R$ 2,6 mil para auxiliar a detenta na fuga.

O que o MP-MS estranhou no caso foi que haviam duas malas com roupas da fugitiva no carro, que, segundo o depoimento à polícia, teriam sido retirados do presídio dois dias antes da fuga de Cleonice.

“Além disso, é no mínimo estranha a versão de Cleonice de que conseguiu pular dois muros da unidade prisional sem ter sido vista por qualquer dos servidores da unidade”, afirmou a promotora de Justiça Gislene Dal Bó, responsável pelas investigações, no inquérito policial.

Corrupção de agentes

Ainda consta nos autos do inquérito instaurado pelo MP-MS que a detenta já seria investigada por possível corrupção de agentes públicos, uma vez que teria oferecido dinheiro para evitar penas no presídio.

Cleonice teria oferecido “certa quantia em dinheiro” para a diretora do estabelecimento penal, Nilda Sangeney Boeira. Em troca, a detenta teria sido mantida três dias em cela apartada, quando deveria ter permanecido reclusa por dez dias, como sanção disciplinar.

Na época dos fatos, entre novembro de 2011 e agosto de 2012, a detenta estava já reclusa no Estabelecimento Penal. O MP-MS apura também a participação de outra detenta na tentativa de fuga, Rosangela Ferreira de Lima, que teria pago pelo resgate de Cleonice.

A promotora determinou que sejam feitas oitivas com a mandante e com todos os servidores da unidade penal que estavam de plantão no dia da fuga. Em maio, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, já instaurou sindicância para apurar o caso.

Jornal Midiamax