Polícia

Começa primeira audiência do caso Kauan e 20 pessoas devem ser ouvidas

Menores são ouvidos em sala especial

Tatiana Marin Publicado em 13/12/2017, às 17h35

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Menores são ouvidos em sala especial

A primeira audiência do caso Kauan acontece na tarde desta quarta-feira (13) no Fórum da Capital a portas fechadas. O juiz Marcelo Ivo de Oliveira da 7ª Vara Criminal de Campo Grande, ouve as testemunhas de defesa, de acusação e o réu. Crianças e adolescentes que também podem ter sido vítimas de estupro do acusado são ouvidas em sala especial por psicóloga.

No total, foram expedidos 20 mandados e, se houver tempo, o réu será ouvido ainda nesta quarta-feira. Entre crianças e adolescentes, 9 vítimas serão ouvidas, entretanto apenas 7 compareceram ao fórum para a primeira audiência. Os menores, estão sendo ouvidas em sala especial no segundo andar do Fórum. Os depoimentos são tomados por uma psicóloga, o que é feito informalmente, e ouvidos pelo juiz por videoconferência.

Em uma das salas do Fórum são ouvidas o restante das testemunhas, que vão seguir a ordem: acusação, defesa e, se houver tempo, o acusado. O réu, está em uma no Fórum, mas não acompanha os depoimentos para que não haja constrangimento por parte das testemunhas.

Começa primeira audiência do caso Kauan e 20 pessoas devem ser ouvidas

A defesa tentou adiar a acusação de estupro e assassinato de Kauan por não haver materialidade e, assim, não configurar crime, já que o corpo do garoto não foi encontrado. Entretanto o juiz aceitou a denúncia do promotor.

O próximo passo da defesa será analisar os depoimentos das testemunhas e vítimas e espera que os depoimentos se confirmem. “Se fosse para levar em consideração, do primeiro depoimento ao último, o professor estaria solto. As crianças foram ouvidas de 3 a 4 vezes e em nenhuma vez o depoimento se repetiu”, diz o advogado.

O juiz falou com a imprensa e e explicou que “como a vítima está desaparecida” o que vai ser levado em consideração são depoimentos das outras vítimas e das testemunhas, que serão ouvidas, e o resultado de um laudo de um exame de DNA do provável pai de Kauan. Assistaentrevista com o juiz.

Relembre o caso

Kauan desapareceu da casa da família, no Aero Rancho, no dia 25 de junho. O menino cuidava carros na região quando foi visto pela última vez. A família registrou boletim de ocorrência e as investigações foram realizadas pela Depca. Foram mais de 20 dias sem notícias até o último sábado (22), quando o caso foi esclarecido.

Durante as investigações do desaparecimento, um adolescente de 14 anos acabou apreendido por envolvimento no crime. Ele relatou à polícia que atraiu Kauan na noite do dia 25 de junho para a casa. A criança teria falecido enquanto era violentada.

Com Kauan inconsciente, não se sabe ainda se desmaiado ou já sem vida, os suspeitos colocaram o corpo do menino em saco plástico e ‘desovaram’ no Córrego Anhanduí, por volta da 1 hora do dia 26 de junho.

O homem suspeito de ser pedófilo foi preso no dia 21 de julho, no começo da tarde, pouco antes do início das buscas pelo corpo do menino. De acordo com o delegado, o suspeito negou as acusações, mas com o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, não há dúvidas de que a vítima era Kauan.

Sobre o local onde o corpo foi deixado, segundo a autoridade policial, o adolescente apresentou contradição. Ele afirma que entrou no carro do suspeito, com o corpo no porta-malas, mas que não desceu do veículo para jogar o menino. O criminoso teria ido sozinho às margens do córrego e permanecido por aproximadamente 30 minutos.

Durante todo o dia 22 de julho, a polícia e o Corpo de Bombeiros fizeram buscas pelo corpo de Kauan no Córrego Anhanduí. Apenas um saco de lixo com fios de cabelo foi encontrado.

Uma amiga da família de Kauan contou a equipe do Midiamax que ele era ‘fissurado’ por pipas e que suspeita que isso pode ter sido usado pelo suspeito para atrair o menino. “Ele colecionava pipas, chegava a esconder a pipa em cima da casa para os irmãos não estragarem”. O homem já teve a prisão preventiva decretada por estupro de vulnerável e exploração sexual.

Jornal Midiamax