Assaltante estava armado com uma faca

Um taxista, de 37 anos, procurou a polícia na manhã deste sábado (30), depois de ser vítima de um assalto na noite de sexta-feira (29). A vítima relatou para a polícia que trabalha no ponto 69, localizado na frente do Hospital Rosa Pedrossian e por volta das 21h50 um homem se aproximou de seu veículo e solicitou uma corrida.

Trajando um casaco fechado e uma calça de moletom, o homem, que segundo a vítima exalava forte cheiro de cigarro, sentou no banco da frente e pediu para que o taxista o levasse até o Jardim Centenário. Chegando na Rua Moçambique, o homem teria apontado uma faca para o pescoço do taxista e pedido para ele parar e descer do carro.

O homem também teria descido do carro pela mesma porta que o taxista. Do lado de fora do veículo, o taxista conta à polícia que ainda tentou tomar a faca do assaltante momento em que acabou cortando a mão direita. Depois disso ao assaltante pediu que o taxista entrasse no porta-malas do veículo.

O taxista destaca que o assaltante por várias vezes disse que não queria machucá-lo e temendo por sua vida acabou entrando no porta-malas do táxi. O assaltante teria rodado por várias ruas do bairro até abandonar o veículo na Rua Canto Grande com a vítima presa no porta-malas. O homem fugiu levando o celular e a carteira do taxista.

Depois de alguns minutos a vítima conseguiu sair e pedir ajuda para vizinhos do local e entrou em contato com seus colegas e a sua central. A Polícia Militar foi acionada e orientou o taxista a procurar a delegacia e uma unidade de saúde.

Falta de segurança

Em conversa com o Jornal Midiamax, vários taxistas destacam que trabalhar em Campo Grande está ficando cada vez mais difícil e perigoso. A categoria afirma não haver segurança e estão expostos aos mais diversos tipos de crimes. Para alguns, o fato de o Brasil não ser permitido o porte de arma agrava ainda mais a situação, já que enquanto os bandidos estão armados, eles não têm como se defender.

Trabalhando há 25 anos como taxista, Walter Cesário, de 48 anos, diz que dos anos 90 para cá, quando começou a trabalhar mudou muita coisa, para garantir a segurança, mas mesmo assim foi vítima cinco vezes de assaltos, e em um deles, tomou dois tiros, um no pescoço e outro no abdome. Marcas que levará para sempre.

Ele revela que além do assalto, em que levou dois tiros, já ficou preso no porta-malas por horas a fio até a chegada do socorro. “Uma vez eu peguei um cliente aqui no pronto Socorro (ele trabalha no ponto da Santa Casa) e me falaram para levar lá perto da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco). Lá eles falaram para eu sair do carro e com a arma da mãe me prenderam no porta-malas”, diz.

Conforme o presidente do sindicato campo-grandense dos taxistas, Bernardo Quartin, a entidade já procurou o governo para tentar aumentar a segurança dos trabalhadores e tem tentado sensibilizar o poder público não apenas na segurança dos taxistas, mas também na condução dos trabalhadores, expostos ao trânsito no exercício da função. O sindicato pontua que na Capital em 2014 foram registrados 26 assaltos contra taxistas e 25 no ano passado.