Polícia

Polícia prende estelionatário que enganava idosos e convoca vítimas

Pelo menos 5 casos já foram registrados

Midiamax Publicado em 27/10/2016, às 20h03

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Pelo menos 5 casos já foram registrados

A Polícia Civil investiga uma quadrilha especializada em aplicar o “golpe do motoboy" em Campo Grande. Nesta quinta-feira (27) um mototaxista, de 36 anos, foi preso no momento em que tentava pegar cartões de crédito de uma idosa, de 71 anos, em sua residência na Vila Almeida. O golpe só não foi concluído, porque o neto da vítima ouviu a conversa da avó com os bandidos e ligou para a mãe.

O caso começou com a ligação de um homem, que se identificou como funcionário do banco Bradesco. Por telefone, o suspeito explicou para a idosa que a agência havia identificado uma compra de R$ 1,5 mil feita no cartão de crédito dela e outras duas tentativas de saque em caixas 24 horas.

A vítima afirmou que não havia feito às operações. “Ai ele perguntou se eu tinha perdido os cartões, falei que não e ele falou que eles tinham sido clonados”, contou. O suposto funcionário então iniciou o procedimento de bloqueio e passou a pedir os dados da mulher. Receosa, a idosa pediu para o homem informar os números do cadastro que ela confirmaria se estivessem corretos.

”Ele foi me falando tudo certinho. Meu CPF, meu RG, o nome da minha mãe e até a senha de um cartão do HSBC que está vencido. Eu não falei nada, ele foi falando e eu confirmei”, lembra à idosa. O suspeito alegou que o bloqueio já estava feito, mas que a ‘cliente’ deveria escrever uma carta e colocar junto com os cartões em um envelope lacrado, que seria entregue para um ‘motoboy da empresa’.

Segundo o suposto funcionário do banco, um motociclista iria até a casa da mulher para buscar o documento. Em três dias, ela receberia um novo cartão. Os dois netos da vítima, um menino de 12 anos e a irmã de 7 anos, acompanharam toda a conversa da avó e em determinado momento, a mais velho resolveu ligar para a mãe e contar a história.

A ligação com o bandido caiu e a filha da vítima, uma técnica em enfermagem de 38 anos, aproveitou para falar com a mãe. “Falei que deveria ser um golpe. Para ela não entregar nada e trancar a casa. Liguei para meu cunhado e ele para um amigo que é policial e fomos para a casa da minha mãe”, narrou.

Depois disso, o suspeito voltou a ligar para a mulher, confirmou a ida do motoboy e ainda explicou que ele teria uma senha e que para a vítima saber se realmente era o funcionário, que se chamava Rodolfo da Silva, bastava perguntar.

“Quando ele chegou, convidei para entrar. Falei que eu não o conhecia, e se ele podia assinar a segunda via da carta que o homem me mandou escrever. Ele meio assim e falou que estava com pressa”, afirmou a vítima. A mulher então entrou na residência e avisou os familiares e o policial militar de folga, que já estavam no local.

“Nesse tempo ele fugiu. Eu corri atrás dele, ele estava subindo na moto, mas uma pessoa saiu no portão em que ele estava parado em frente e ele foi um pouco mais para frente, nisso o policial chegou”. A mulher conta que a primeira reação do suspeito foi mentir. Ela então pediu para que ele colocasse o capacete e assim o reconheceu imediatamente, por isso, o suspeito acabou confessando. Ele foi preso pelo militar e levado a delegacia.

O motoboy na verdade foi identificado como Wagner Rodrigues Lima do Nascimento, de 36 anos. Trabalhando como mototaxista, o suspeito possuía passagem por roubo majorado pelo emprego de arma de fogo e estava em condicional. Com ele foram apreendidos R$ 515, e uma motocicleta Yamaha Factor.

Segundo o delegado Cláudio Zotto, da 7ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, outros cinco boletins de ocorrência, todos com vítimas idosas, com o mesmo modo de ação dos bandidos já foram registrados. A suspeita é que uma quadrilha especializada esteja aplicando o golpe na Capital e contratando mototaxistas para buscas os cartões de crédito.

“Pedimos para quem tenha sido vítima do golpe, ou reconheça o suspeito como autor, procure a delegacia na segunda-feira (31) para registrar o caso e prestar depoimento”, pediu o delegado. O caso continua a ser investigado e Wagner será indiciado por estelionato.  

Jornal Midiamax