Polícia

Briga entre detentos pode estar ligada a ‘recrutamento’ para facção na Máxima

Mãe de detento diz que filho apanhou por deixar 'facção'

Arlindo Florentino Publicado em 02/08/2016, às 15h10

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Mãe de detento diz que filho apanhou por deixar 'facção'

Enquanto as autoridades classificam como um 'efeito de um desentendimento' o episódio desta segunda-feira (1), quando três internos se envolveram em uma briga no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, a mãe de um deles garante que o fato está ligado ao 'recrutamento' de soldados para uma facção criminosa que atuaria dentro da prisão.

A briga aconteceu durante o banho de sol e, para a direção da Agepen (Agência de Administração do Sistema Prisional), trata-se de fato isolado. Mesmo assim, foi instaurado inquérito para apurar os fatos. Enquanto isso, a mãe de um dos envolvidos, que cumpre pena por tráfico, afirma que a realidade é outra. Segundo ela, seu filho já a havia alertado que corria risco, pois estava “marcado”.

“Meu filho foi pisoteado por outros internos, pisaram no pescoço dele e deram muitos chutes. Ele chegou a ir para a área de saúde. Isto porque ele fazia parte de uma facção que domina lá dentro e resolveu sair. Os líderes não aceitaram e passaram a ameaçá-lo para que ele permanecesse no grupo e para isto tinha que pagar uma mensalidade. Como ele não aceitava isto acabou sendo agredido e ainda pode ser morto lá dentro”, desabafou.

Segundo ela, os outros três que foram envolvidos no episódio de segunda-feira podem estar passando pela mesma situação. “Ali dentro é terrível e quem não obedece a ordem dos líderes fica sendo ameaçado o tempo todo. Esta não foi a primeira vez que o meu filho passou por isto e se ele continuar lá fatalmente vai morrer”, continuou a desesperada mãe.

Ela disse que já tentou por várias vezes junto a direção da Agepen que providenciassem a transferência do filho para outra unidade prisional, mas só tem obtido resposta negativa.

Por seu turno, a diretoria do Sinsap/MS (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul) afirma que ainda não se inteirou da situação. Atualmente a maior preocupação é com a mobilização em Brasília contra a PLP 257, que trata da renegociação das dívidas dos estados e do ajuste fiscal aplicado aos servidores públicos. “Que existem lideranças dentro do presídio não é segredo para ninguém, mas esta história de obrigar alguém a se filiar a determinada facção não dá para confirmar,” afirmou um agente penitenciário que preferiu não se identificar.

Jornal Midiamax