Polícia

‘A justiça não se faz a qualquer preço’, afirma juiz que manteve PMs presos

Eles são suspeitos de agredir adolescente durante abordagem

Jessica Benitez Publicado em 21/01/2016, às 21h26

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Eles são suspeitos de agredir adolescente durante abordagem

O juiz David de Oliveira Gomes Filho, responsável pela manutenção da prisão dos policiais militares suspeitos de prática do crime de lesões corporais leves contra um menor de 15 anos alegou em sua decisão, tomada nesta quinta-feira (21), que “a justiça não se faz a qualquer preço”. O trio foi preso a pedido da Corregedoria da PM.

O magistrado afirmou, ainda, que constam duas versões para os fatos que deram causa à prisão dos policiais. O primeiro, contado pelos suspeitos, no sentido de que procuravam o adolescente porque ele estava em uma moto e que desatendeu a ordem de parada, mas depois da suposta fuga, não o encontraram. Teria sido uma surpresa a denúncia de que o maltrataram.

Já o adolescente conta que estava na garupa do veículo que fugiu dos PMs, porém quando estava a pé quatro policiais o encontraram, o levaram para uma casa abandonada e três deles teriam o agredido com socos, chutes, tapas e enforcamentos para que ele revelasse o paradeiro do “motoqueiro fujão”. Diante da situação o menor deu o próprio endereço e quando chegaram à casa pediu ajuda aos pais.

O camburão saiu com o menor e teria sido perseguido pela mãe e pai do adolescente. Os policiais, no entanto, se desvencilharam da perseguição e, ainda segundo o relato, deixaram-no num local distante. Como não conseguiam encontrar o filho, eles o procuraram no batalhão policial, sem sucesso. Quando o jovem retornou à residencia foi levado à Corregedoria na qual o flagrante foi registrado.

Depois de analisar os fatos o juiz avaliou que a primeira versão não se sustenta e manteve os três aprisionados. “Que curioso é o destino que coloca três autoridades policiais com elogios numa posição tão delicada como esta por terem, em tese, agredido um jovem de 15 anos de idade e, apesar de tão novo, já envolvido com tantas práticas de atos muito mais do que nocivos”, afirmou.

“Esta situação força o juiz a despir-se de todos os preconceitos e de suas admirações para enxergar não os policiais condecorados ou o adolescente infrator, mas o ser humano que este adolescente representa. Não é possível admitir que qualquer ser humano, seja bom ou seja mal, seja submetido a violência física ou psicológica para a busca de informações de crimes. A justiça não se faz a qualquer preço”, completou.

David fez questão de ressaltar que esta é a primeira impressão de um processo que acabou de começar e garantiu não haver motivos para que os policiais tenham receio de serem condenados injustamente. “Não há motivos para temor dos policiais, pois não é a palavra da vítima que convence, mas as circunstâncias dos fatos em todo o seu conjunto”.

Protesto Policiais militares e civis protestaram em frente ao Fórum durante audiência em favor dos colegas. À tarde eles foram para frente do PME (Presídio Militar Estadual) e prometem ficar lá até que os três sejam soltos. Eles não podem receber visitas e apenas a militar feminina está em um alojamento, os outros dois policiais estão em celas simples.

Jornal Midiamax