Polícia

Policial suspeito de matar jovem em frente de boate vai a júri

Crime aconteceu em outubro de 2012

Wendy Tonhati Publicado em 14/05/2015, às 18h59

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Crime aconteceu em outubro de 2012

Será realizado na próxima sexta-feira (15), às 8 horas, o julgamento do policial militar Bonifácio dos Santos Júnior, de 39 anos, suspeito de matar o jovem Ike César Gonçalves, então com 29 anos, no dia 28 de outubro de 2012, na frente da casa noturna Santa Fé, que funcionava na Rua Brilhante,  Vila Bandeirantes, em Campo Grande.

Depois de quase três anos do crime, a mãe de Ike César, a assistente financeira Jaci Vieira do Nascimento, ainda chora ao se lembrar do crime. “Espero que seja feita justiça para amenizar a dor da família. A dor da perda ainda é muito grande. Ainda não nos conformamos da forma como aconteceu, tão banal”, diz.  

Segundo a mãe, Ike era o mais velho de três irmãos. Ela diz que os tinham uma relação maravilhosa. “Tinha 30 anos e pedia a benção. Chegava na minha casa e falava que era o porto seguro dele. Nunca teve vergonha de falar eu te amo. A gente se falava todo dia. Eu ligava para ele, ele ligava para mim”, relembra.

O julgamento deve aliviar a dor da família, que deixou para comemorar o aniversário de 15 anos da filha mais velha de Ike na próxima semana. “Ela queria muito que ele estivesse aqui. Espero que seja condenado e cumpra a pena. Não vai trazer meu filho de volta, mas já é um alívio”, diz Jaci.

O crime aconteceu durante a madrugada daquele dia. O militar, que era lotado na extinta Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e de Operações Especiais), teria efetuado vários disparos contra as pessoas que estavam na rua, por causa de uma briga. O policial foi detido com um colega, o também policial militar Osnir Ribeiro Lima, de 38 anos, que teria ajudado na fuga do suspeito.

Consta na sentença de pronuncia que o juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Juri, acolheu a denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) e pronunciou os dois policiais pelos mesmos crimes, uma vez que Osni ajudou na fuga do colega de farda.

Eles foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado por outro motivo torpe, com emprego de meio que possa resultar perigo comum e à traição outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido e pelo mesmo crime, na forma tentada, em relação a Max Bruno de Souza Leite.

Osni teve o pedido de Habeas Corpus deferido e posto em liberdade no dia 19 de dezembro de 2012. Já Bonifácio teve o pedido de liberdade concedido em 15 de abril de 2013.

Consta ainda que os dois negaram os crimes em todas as oportunidades em que foram ouvidos, mas várias testemunhas afirmam que eles são os autores dos delitos. Durante a fase de instrução do processo foram ouvidas 17 testemunhas. 

Jornal Midiamax