Polícia

Ex-PM que matou jovem na frente de boate é condenado a 19 anos de prisão

Militar que ajudou na fuga foi absolvido do crime de homicídio

Wendy Tonhati Publicado em 15/05/2015, às 20h48

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Militar que ajudou na fuga foi absolvido do crime de homicídio

O policial militar Bonifácio dos Santos Júnior, de 39 anos, foi condenado a 19 anos de prisão em regime fechado, em julgamento realizado nesta sexta-feira (15), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

Bonifácio matou o jovem Ike César Gonçalves, então com 29 anos, no dia 28 de outubro de 2012, na frente da casa noturna Santa Fé, que funcionava na Rua Brilhante, Vila Bandeirantes, em Campo Grande. Além de Bonifácio, também foi levado a júri, o policial militar Osni Ribeiro De Lima, de 38 anos. Amigo de dele, que ajudou na fuga após o homicídio.

De acordo com a sentença condenatória, assinada pelo juiz Thiago Nagasawa Tanaka, o MPE (Ministério Público Estadual) pediu a condenação de Bonifácio pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e meio que possa resultar perigo comum e absolvição do crime de tentativa de homicídio em relação a Max Bruno de Souza Leite, que também estava no local e quase foi atingido pelos tiros disparados pelo policial. Com relação a Osni, foi pedida a desclassificação para o crime de homicídio para o delito de favorecimento pessoal.

A defesa dos acusados pediu a absolvição por legítima defesa própria e de terceiro e afastamento das qualificadoras em relação à vítima Max Bruno e defendeu a absolvição por insuficiência de provas. Quanto a Osni, os defensores sustentaram a negativa de autoria, por não ter aderido à conduta de Bonifácio.

O Conselho de Sentença reconheceu as materialidades e as autorias dos delitos, acolhendo as teses da acusação, com isso, Bonifácio foi condenado a 19 anos de reclusão em regime fechado.

“Em razão de sua periculosidade, pela elevada gravidade concreta da conduta, assim como pela repercussão social do fato, de forma a resguardar a credibilidade do Poder Judiciário e evitar a sensação de impunidade, que o faço para garantir a ordem pública”, afirmou o magistrado.

O MPE deverá se manifestar sobre Osni, que ele foi absolvido do crime de homicídio e a pena para o delito de favorecimento pessoal é de 1 a 6 meses de detenção e multa.

Expulsão

Bonifácio foi excluído do quadro da Polícia Militar em julho do ano passado, depois de condenado pela auditoria militar a 10 meses de prisão. Na época, a defesa dele conseguiu com que a detenção fosse suspensa, porém ele não participa da carreira militar.

A condenação ocorreu porque Bonifácio teria agredido um homem em Porto Murtinho. Ele revelou que estava atrás de um suspeito, quando este caiu e se machucou durante uma ocorrência, porém o homem alegou que apanhou do militar na época.

Crime

O crime aconteceu durante a madrugada daquele dia. O policial que era lotado na extinta Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e de Operações Especiais), teria efetuado vários disparos contra as pessoas que estavam na rua, por causa de uma briga. O policial foi detido junto com um colega, o também policial militar Osni, que teria ajudado na fuga do suspeito.

Eles chegaram a ficar detidos, mas Osni teve o pedido Habeas Corpus deferido e posto em liberdade no dia 19 de dezembro de 2012. Já Bonifácio teve o pedido de liberdade concedido em 15 de abril de 2013.

Os dois sempre negaram os crimes em todas as oportunidades em que foram ouvidos, mas várias testemunhas afirmam que eles são os autores dos delitos. Durante a fase de instrução do processo foram ouvidas 17 testemunhas.

Jornal Midiamax