Polícia

Bando que roubou gado se apresentava como polícia e agendava abates

Quadrilha esperava lucrar R$ 300 mil

Midiamax Publicado em 27/04/2015, às 20h42

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Quadrilha esperava lucrar R$ 300 mil

Sete homens foram presos pelo envolvimento com o roubo de 145 cabeças de gado de uma fazenda de Bandeirantes, a 70 quilômetros de Campo Grande. No dia do crime, membros da quadrilha se passaram por policiais para abordar os caseiros do local, que foram algemados e feitos reféns durante toda a ação.

De acordo com a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, e Resgate a Assaltos e Sequestros), que efetuou a prisão dos envolvidos com a Polícia Civil de Bandeirantes, o grupo levou dois meses para organizar o crime, que aconteceu na última sexta-feira (24) e tinha até agendado o abate do gado roubado.

Os sete envolvidos foram presos em flagrante aproximadamente 4 horas depois de deixarem a sede da fazenda transportando os animais, que estavam divididos em nove caminhões. Foram detidos, Liomar da Silva, de 41 anos, Deivide da Silva Arantes, de 29 anos, Jorge da Silva Landes, de 41 anos, Gilmar da Silva Arantes, de 40 anos, Thiago Pinheiro de Melo, de 28 anos, Ormes Eugenio Lopes Acunha, de 27 anos e Jefferson Henrique da Silva, de 41 anos.

Conforme o delegado adjunto da Garras, Fábio Peró, essa teria sido a segunda tentativa do roubo pelo grupo. A primeira, que deveria acontecer na semana retrasada, quando o abate do gado já estava agendado no Frigorífico JBS, falhou.

Durante o flagrante foram apreendidas seis armas, sendo quatro revólveres, três calibre 38 e uma calibre 32, além de dois simulacros de pistolas. Celulares, algemas e as roupas usadas no dia do crime também foram localizadas. 

Roubo

Ainda de madrugada, parte do grupo chegou à fazenda e se passando por policiais, afirmou que estava na propriedade para cumprir uma ordem de busca e apreensão do gado. As quatro pessoas que estavam no local foram algemadas e colocadas em um dos cômodos da casa.

Neste momento, Liomar, que conhecia os moradores da fazenda, e os outros integrantes também chegaram ao local para colocar os animais nos caminhões, que foram alugados de uma transportadora. “Eles alugaram 11 caminhões, mas só carregaram nove deles” detalha Peró.

Na saída, as vítimas foram soltas e mantidas dentro da casa, para que não seguissem os bandidos. “Eles cortaram a mangueira do caminhão de duas testemunhas que os encontraram no caminho e também retiraram  chip do celular deles, para que não conseguissem  sair do local ou comunicar a ninguém o que viram”, lembra o delegado Edilson dos Santos Silva, titular da Garras.

O gado foi levado para um pasto arrendado por Liomar, que era o líder do grupo junto com Deivide. Lá, Gilmar e Jorge, que são irmãos e primos de Silva, agiam como peões. A dupla era responsável por cuidar dos animais e remarcar o gado, para assim esconder a marca do verdadeiro dono.

Já Thiago, Ormes e Jefferson, que trabalham como seguranças, voltaram para Campo Grande. Os dois primeiros se passaram por policiais e renderam as vítimas, já o terceiro esteve na propriedade dias antes para analisar o local.

“Segundo Liomar, o gado ficaria 20 dias no pasto, para dar uma engordada e para a ‘baixar a poeira’, depois disso os animais seriam vendidos para o abate”, explica Edilson. Com o venda, a quadrilha esperava lucrar R$ 300 mil e cada envolvido no roubo receberia R$ 10 mil.

Em depoimento Liomar justificou que arquitetou o crime por estar com muitas dívidias e convidou Deivide por saber que ele estava na mesma situação. “Acreditamos que eles também estavam planejando realizar o mesmo crime em outras propriedades”, defende o delegado Edilson. Silva tinha passagem por sequestro e estava em liberdade provisória. Já Arantes tinha passagem por tráfico de drogas.  

Jornal Midiamax