Polícia

Estudante da UEMS é preso durante manifestação em Paranaíba

Ontem, 21 de Agosto de 2012 por volta das 17 horas, os acadêmicos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul que no uso de seu direito á liberdade de expressão, promovia uma manifestação pacífica e apartidária, contra algumas decisões do governo quanto aos interesses daquela Instituição de Ensino quando foram surpreendidos pela prisão até […]

Arquivo Publicado em 24/08/2012, às 19h11

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Ontem, 21 de Agosto de 2012 por volta das 17 horas, os acadêmicos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul que no uso de seu direito á liberdade de expressão, promovia uma manifestação pacífica e apartidária, contra algumas decisões do governo quanto aos interesses daquela Instituição de Ensino quando foram surpreendidos pela prisão até então inexplicável de um dos participantes.

A alegação usada pelo Estado contra o movimento foi recebida pelos estudantes como um subterfúgio para enfraquecer o verdadeiro caráter e teor da manifestação. Por isso, apresentam-se aqui as reais razões do movimento e o seu repudio as ações sofridas e expressas pela carta abaixo, destinada ao conhecimento da sociedade sul mato-grossense.

Veja a íntegra da carta enviada pelos estudantes

Carta de repúdio à ação do governo e da polícia de Mato Grosso do Sul

Nós, estudantes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) unidade de Paranaíba, vimos a público manifestar repúdio à ação policial truculenta, opressiva e intimidadora ocorrida ontem, 21 de agosto,quando um dos estudantes foi preso sem qualquer razão coerente, levado à delegacia para Averiguação, e ali sendo acusado posteriormente de desacato, sob o falso pretexto de ter cuspido numa viatura.

Nosso objetivo enquanto movimento estudantil foi o de manifestarmo-nos contra o decreto n° 13.467 publicado nesta quinta-feira, 19, no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul, assinado pelo governador André Puccinelli. O decreto em questão determina uma redução em 20% das despesas de custeio das entidades da administração direta e indireta, das autarquias e das fundações do governo estadual, o que inclui a UEMS. Tal redução foi justificada pela alegação de que houve queda na arrecadação estadual. No entanto o Portal da Transparência do estado de Mato Grosso do Sul mostra o contrário. Considerando a impossibilidade da redução estipulada e a ilegitimidade da justificativa, e tendo conhecimento da vinda do governador à cidade, nós acadêmicos convocamos assembléias e discutimos ações de protesto de cunho pacífico e reivindicatório, sem nenhuma vinculação político-partidarista.

Ainda assim, logo que nos reunimos e saímos às ruas notamos grande quantidade de policiais militares e, com a chegada do governador, observamos a presença da ROTAI (Rondas Ostensivas Táticas do Interior) que é uma unidade operacional da polícia militar, e tem por missão atuar preventiva e/ou repressivamente contra a chamada “criminalidade violenta”. Mas nesse caso convocada, com todo o seu armamento pesado ostensivo, para garantir exclusivamente a integridade do chefe do executivo, segundo o próprio tenente. E a forma utilizada pela ROTAI para zelar pela segurança do governador foi ostentar seus enormes fuzis, avançar com seus veículos em direção aos manifestantes e por fim prender estudante sem nenhuma justificativa razoável.

Além disso, houve pressões e ameaças de todo tipo para conter a manifestação. Pessoas ligadas a partidos políticos entraram em contato com alguns integrantes do movimento, ligando nos aparelhos telefônicos pessoais dos mesmos para alertar sobre possíveis surpresas caso continuássemos com o protesto. Também o apoio da polícia já não nos parecia confiável. Dadas às circunstâncias, a segunda parte da programação estabelecida sofreu alterações, não pudemos ir até o local onde o governador estaria à noite, pois receávamos mais violência. Fomos a um debate entre candidatos onde possivelmente o governador apareceria. Porém, não apareceu. Mas o nosso protesto se desenrolou como planejado para a ocasião, fomos em grande número, todos juntos, amarrados uns aos outros e amordaçados. Não havia presença da polícia nesse momento. Levamos cartazes com nossos protestos e reivindicações, e a noite acabou sem mais problemas.

É importante dizer que não desistimos e não vamos desistir da luta, estamos unidos por uma boa causa, queremos uma UEMS que cresça e não podemos aceitar calados, um corte de 20% do que já era ridiculamente pouco. Reivindicamos investimentos para a Universidade em todos os setores, pois não há na UEMS setor que não careça de melhorias. •. Movimento Estudantil.

Jornal Midiamax