Segundo o comandante da Ciptran, da PM, maioria dos acidentes nas ruas de Campo Grande envolvem motos conduzidas por pessoas que não possuem sequer habilitação.

O trânsito caótico de Campo Grande tem nome e tem culpados. “Está comprovado que motos conduzidas por pessoas não habilitadas são as maiores causas de acidentes em Campo Grande”, diz o comandante da Ciptran (Companhia Independente de Policiamento e Trânsito) Alírio Vilassanti.

Ele confirma a suspeita dos motoristas e afirma que os homens jovens de moto são os mais parados nas fiscalizações.

“O foco das nossas blitzes são os mais jovens e em motos. Nos fins de semana, paramos todos eles para realizar testes de alcoolemia, que são os que mais se envolvem em acidentes.”, observa Alírio.

Com blitzes diárias, a Ciptran tem apertado o cerco contra os vilões do trânsito. Somente no primeiro semestre, foram recolhidos 2.885 veículos. Desses, 1.685 são motos, ou seja, a maioria.

Acomodado

Um vigia noturno que não quis se identificar perdeu a moto na blitz que aconteceu nesta quinta-feira (4) na Avenida Ernesto Geisel, nas proximidades do novo shopping.

“Eles estão certos, o errado sou eu. Sabia que minha habilitação estava vencida e que tinha perdido os documentos em um supermercado. Ia acertar no mês que vem, mas não deu tempo, me pegaram hoje”.

“É bom que levem, porque as pessoas acabam se acomodando e não acertam os documentos. Moro no Aero Rancho e trabalho no Parque dos Poderes, amanhã vou de ônibus, vão levar a minha moto”, disse o rapaz.

Culpa da loja

A dona de casa Edimara da Vera Cruz, de 22 anos, teve a moto Shineray Phoenix, comprada há apenas seis dias, apreendida. “Lá na loja eles me disseram que não precisava emplacar a moto e nem ter habilitação para andar com ela. Agora vão recolher a moto porque é preciso sim. Pena que descobri isso em uma blitze”, lamenta Edimara.

Sem temor

“Quem não deve, não teme”, disse Alex Julião, segurança. “Eu só esqueci os meus documentos em casa, meu amigo já vai buscar e eu vou levar minha moto daqui”, conta o dono da CBX 250.

“Paramos todas”

Para os soldados que trabalham nas blitzes, todos sobre duas rodas são suspeitos. “Ninguém passa aqui com cara de culpado, então a gente para todo mundo. Se estiver tudo certo, é liberado, se não, levamos a moto”, explica.

Ao todo, 15 motos foram levadas para o pátio do Detran nesta tarde.