Polícia

Família de vereador assassinado diz que crime foi político e quer Polícia Federal no caso

Antonio Carneiro foi morto em outubro passado numa emboscada, em Campo Grande. Polícia prendeu o pistoleiro confesso minutos após o crime, contudo, até agora, a autoria do crime, que teria motivação política, é um mistério.

Arquivo Publicado em 15/03/2011, às 10h28

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Antonio Carneiro foi morto em outubro passado numa emboscada, em Campo Grande. Polícia prendeu o pistoleiro confesso minutos após o crime, contudo, até agora, a autoria do crime, que teria motivação política, é um mistério.

A família do ex-presidente da Câmara dos Vereadores de cidade de Alcinópolis, Carlos Antônio Carneiro, 40, morto numa emboscada em outubro passado, em Campo Grande, quer que o caso seja tratado pela Polícia Federal.

Os parentes do ex-parlamentar acham que a apuração da Polícia Civil é “vagarosa” e que, por desconfiarem que o crime tenha tido motivação política, o certo seria a força federal agir na questão.

“Meus irmãos, parentes, já me deram até dinheiro para eu ir para Brasília atrás da ajuda das autoridades federais. Eu ainda creio que até o dia 1º [abril] a Polícia Civil deva anunciar um fato novo. Agora, caso isso não ocorra, vamos, sim, atrás da ajuda da Polícia Federal”, disse Alcino Fernandes Carneiro, pai do vereador assassinado e vice-prefeito da cidade.

Carlos Carneiro foi morto baleado e o atirador detido minutos depois graças a dois policiais civis que faziam ronda perto do local do crime, um hotel situado na avenida Afonso Pena, uma das principais de Campo Grande.

Os pedreiros Ireneu Maciel, que seria o atirador e seu colega também pedreiro Aparecido Souza Fernandes, que pilotava uma motocicleta, depois de detidos apontaram Valdemir Vansan, cunhado de Ireneu, como o contratante do crime. O trio está detido desde o dia do assassinato.

Vansan e Souza Fernandes negam participação na trama. Já Ireneu confessa que recebeu dinheiro para matar o vereador, mas sustenta que não sabe quem seria o mandante do creime.

Os implicados no caso prestam depoimento à Justiça, em Campo Grande, numa audiência marcada para o dia 17, quinta-feira. “Eles [envolvidos] devem falar alguma coisa, acho que nós todos, parentes e amigos de meu filho, que morreu por não ser ladrão, deviam ir para a porta do fórum e exigir uma solução logo para o caso”, disse Alcino.

No início das investigações até o nome do prefeito da cidade, Manoel Nunes da Silva, do PR, apareceu no rol dos suspeitos. Ele negou o caso e disse à época que não “devia nada” e que aguarda uma solução rápida do caso “o quanto antes”.

Familiares do vereador disseram que o vereador assassinado veio a Campo Grande para denunciar o prefeito da cidade. Antes disso, ele teria sido morto na emboscada.

O crime

Carlos Antônio Carneiro foi morto por volta das 13 horas do dia 26 de outubro, em frente ao hotel Vale Verde. Ele foi atingido por tiros e morreu no local.

Segundo a polícia, dois agentes da DGPC (Delegacia Geral De Polícia Civil) perceberam a movimentação do pistoleiro Ireneu Maciel, conhecido como Vaca Magra, e o seguiram. Ele foi preso com o comparsa Aparecido de Souza Fernandes, que pilotava a motocicleta que daria fuga à dupla. Fernandes disse em depoimento que não sabia que o colega era pistoleiro e que ia matar o vereador.

Ao que tudo indica o vereador foi vítima de uma emboscada. Ele chegou no hotel e disse na recepção que alguém (nome não revelado) o esperava para almoçar.

Carlos Antônio foi informado que no local que ninguém o aguardava e que ali não servia almoço. Ao sair do local ele recebeu uma ligação no celular e instante depois foi morto ainda em frente do hotel.

Jornal Midiamax