O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta terça-feira, 13, que os comentários do ex-presidente americano Donald Trump questionando o compromisso dos EUA de defender seus aliados da Otan contra ataques russos eram “perigosos” e “antiamericanos”, em meio a temores de aliados de Washington sobre o futuro da aliança militar em uma possível administração Trump no ano que vem.

O republicano é o favorito para garantir a nomeação de seu partido para concorrer a Casa Branca. Em um comício de campanha no sábado, 10, Trump afirmou que permitiria que a Rússia atacasse aliados da Otan que não se comprometessem a pagar 2% do PIB com o setor de defesa, como manda o estatuto da aliança militar.

“O mundo inteiro ouviu isso, e o pior é que ele está falando sério”, acrescentou Biden. O presidente americano afirmou que “quando os EUA dão a sua palavra, isso significa alguma coisa”

Defesa de aliados

A cláusula de defesa mútua do Artigo 5 da Otan estabelece que um ataque armado contra um ou mais dos seus membros será considerado um ataque contra todos os membros. Mas Trump retratou frequentemente os aliados da Otan como dependentes das Forças Armadas dos EUA e questionou abertamente o valor da aliança militar que definiu a política externa americana durante mais de 70 anos.

Desde a invasão russa em grande escala da Ucrânia em 2022, a Finlândia entrou na aliança e a Suécia deve fazer o mesmo. Embora a Ucrânia não seja membro da Otan, a aliança foi fundamental para apoiar as necessidades militares de Kiev no conflito de quase dois anos.

Os aliados da Otan concordaram em 2014, depois de a Rússia ter anexado a Península da Crimeia da Ucrânia, em suspender os cortes de gastos que tinham feito após a Guerra Fria e passar a gastar 2% do seu PIB no setor de defesa até 2024. A meta de gastos não é um requisito para os membros da Otan.

O secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, afirmou em um comunicado no domingo, 11, que “qualquer sugestão de que os aliados não se defenderão mutuamente mina toda a nossa segurança, incluindo a dos EUA, e coloca os soldados americanos e europeus em risco”.