O presidente da , Xi Jinping, chegou ontem ao Usbequistão, onde se reunirá com seu colega russo, Vladimir Putin. É a primeira viagem internacional de Xi desde o início da pandemia e o primeiro encontro com Putin desde a invasão da . Os dois devem discutir a “parceria sem limites” acertada por eles em fevereiro, em Pequim.

O motivo da viagem é uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), um bloco criado pela China, em 2001, que reúne Rússia e países da Ásia Central. A reunião ocorre no momento em que os dois – Xi e Putin – enfrentam desafios domésticos.

Xi tenta fortalecer sua imagem na busca por um terceiro mandato, no congresso do partido, em novembro, em meio à desaceleração econômica causada pelos rigorosos lockdowns para conter a covid. Putin está cada vez mais atolado na Ucrânia, suas tropas vêm batendo em retirada em algumas partes do país, criando um crescente descontentamento interno com a guerra.

DIPLOMACIA

Xi e Putin têm um inimigo comum: os EUA e seus aliados ocidentais. Por isso, um eixo Moscou-Pequim faz sentido do ponto de vista diplomático. No entanto, um apoio ainda maior da China à Rússia parece improvável, segundo analistas. “Xi vem caminhando na corda bamba em relação à Rússia”, disse Rana Mitter, professora da de Oxford. “Ele quer demonstrar apoio, mas a invasão da Ucrânia está ficando embaraçosa demais.”

Evan Feigenbaum, analista do Carnegie Endowment for International Peace, diz que a China vem tentando se aproximar dos países da Ásia Central, muitos dos quais fizeram parte da União Soviética e se sentiram ameaçados pela Rússia após a invasão da Ucrânia. “Por isso, o dilema de Xi é apoiar Putin, mas não a ponto de afastar os países da Ásia Central. Além disso, não faz muito sentido aumentar o apoio ainda mais no momento em que a Rússia bate em retirada na Ucrânia”, disse Feigenbaum.

NECESSIDADE

As derrotas na Ucrânia e as sanções ocidentais tornaram o apoio chinês ainda mais importante para a Rússia. A China se transformou no grande comprador de commodities russas, o que ajuda a reabastecer os cofres do Kremlin.

Por mais que Xi queira ajudar Putin, fornecer ajuda adicional, seja econômica ou militar, aumenta o risco de conflito com as sanções ocidentais e põe em perigo a economia chinesa. “A China continuará a se alinhar com a Rússia, o que decorre do atual estado das relações com os EUA”, disse Yun Sun, diretor do Centro Stimson, de Washington.

Além disso, para a China, Moscou é um parceiro fundamental quando se trata de neutralizar a influência americana no cenário internacional. “Mas a Rússia enfraquecida pela guerra não é uma má notícia para a China, que ficará mais dominante na relação bilateral”, disse Sun. No entanto, segundo ele, Moscou e Pequim continuam sendo rivais em alguns temas, como a disputa por influência na Ásia Central. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.