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Desinfetar sacolas e medir temperatura: saiba o que não funciona para se prevenir da Covid-19

Usar máscara, manter o distanciamento e higienizar sempre as mãos. Esses três conselhos temos ouvido de especialistas e autoridades em saúde há quase um ano. Mas essas não são as únicas medidas de prevenção contra a Covid-19 que têm sido tomadas ao redor do mundo. Você entra no supermercado e um funcionário lhe espera para […]

Adriel Mattos Publicado em 16/02/2021, às 11h14 - Atualizado às 11h17

(Foto: Leonardo França, Arquivo, Jornal Midiamax)
(Foto: Leonardo França, Arquivo, Jornal Midiamax) - (Foto: Leonardo França, Arquivo, Jornal Midiamax)

Usar máscara, manter o distanciamento e higienizar sempre as mãos. Esses três conselhos temos ouvido de especialistas e autoridades em saúde há quase um ano. Mas essas não são as únicas medidas de prevenção contra a Covid-19 que têm sido tomadas ao redor do mundo.

Você entra no supermercado e um funcionário lhe espera para medir sua temperatura corporal, apontando um termômetro para a testa ou para o pulso. Nos caixas, há placas de acrílico separando cliente do caixa. Mas será que tudo isso realmente funciona? Entenda agora.

1) Desinfecção de tapetes, cobertura de sapatos e desinfecção das solas, desinfecção de pneus de automóveis

Tapetes sanitizantes, barreiras sanitárias para veículos, proteção para calçados. Nada disso funciona. A única proteção acaba sendo contra sujeira e outros agentes contaminantes.

“A verdade é que os vírus não vêm no lugar, eles estão flutuando no ar. E se ficar no sapato, eles não sobem”, explica a virologista María Fernanda Gutiérrez, da Universidade Javeriana de Bogotá, na Colômbia.

“É inútil, há muito pouco que pode ajudar”, diz Diego Rosselli, professor de Epidemiologia da Universidad Javeriana. “Sabe-se que a transmissão do vírus por superfícies é menor do que se pensava inicialmente”, explica.

2) Desinfetar sacolas de compras

Você chega do supermercado e borrifa álcool 70º nas sacolas ou até nos produtos. Nesse caso, o cuidado acaba sendo extra, porque não há consenso sobre a efetividade.

Segundo o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, o novo coronavírus não se propaga tão facilmente em superfícies como se acreditava inicialmente.

Alguns especialistas dizem que essa medida não funciona, mas há discussão.

“A probabilidade de o vírus ficar preso no saco é baixa e não é fácil retirá-lo porque sai em pedaços. Para você se infectar e poder contaminar você [se o vírus estivesse ali], você teria que explodir o saco ”, explica a virologista. “O importante é lavar as mãos depois de recolher os sacos. Não são as bolsas que transmitem, são as mãos”, ressalta.

“Lavar as mãos continua sendo uma recomendação básica devido ao risco das mãos no nariz ou na boca criarem um mecanismo de entrada”, diz o professor da Universidad Javeriana. “Sobre a limpeza das sacolas do mercado, há polêmica, pois tem gente que continua recomendando só para garantir. Acho que o consenso é não”, destaca Rosselli.

“Aprendemos então este ano que a principal forma de transmissão desta doença é através de aerossóis no trato respiratório. No início, fevereiro, março, (havia) histeria em massa, porque não sabíamos ”, explica o oncologista Elmer Huerta, especialista em Saúde Pública. 

“Nos supermercados limpamos as caixas, os sacos plásticos em que deixavam a comida, as superfícies e as perguntas eram: o que é melhor? Que tipo de detergente devo usar? Que tipo de desinfetante devo lavar as solas dos meus sapatos ao entrar em casa? Eu saí por um tempo e tenho que lavar minhas roupas imediatamente? Sair? Entrar em casa nu? Puxa, foi tudo por quê? Porque não sabíamos. Ao longo dos meses temos aprendido”, diz Huerta.

O oncologista citou ainda um relato publicado na revista Nature que apontou ser muito raro o contágio por meio de superfícies.

3) Medição de temperatura

Seja no supermercado ou em outros estabelecimentos, há um funcionário lhe esperando para medir sua temperatura. E se você estiver com febre, você recebe o conselho de voltar para casa.

Isso também não funciona. Nem no pulso ou em qualquer lugar. Uma razão é porque, em geral, o novo coronavírus não é um vírus que causa febre. 

“Em muitos poucos casos você está tendo febre e quando você tem febre você se sente mal, é provável que você não saia”, disse María Fernanda.

“Apenas 10% das pessoas que transmitem o vírus e contaminam têm febre. Então estaríamos pegando um grupo muito pequeno de pessoas”, frisa Rosselli.

Desinfetar sacolas e medir temperatura: saiba o que não funciona para se prevenir da Covid-19
Equipamento pode ser usado, mas especialista vê pouca efetividade. (Foto: Minsa)

4) Uso de oxímetros

Existe um dispositivo médico que você pode colocar no dedo que mede o nível de oxigenação no sangue. A baixa saturação de oxigênio é um possível sintoma entre os pacientes de Covid-19. É considerado baixo teor de oxigênio se estiver entre 95 e abaixo.

É mais uma medida que não funciona. “É raro, muito raro, que uma pessoa tenha o que se denomina hipóxia feliz, ou seja, que já esteja dessaturada e que ande como se nada estivesse a acontecer. Não, isso é muito raro”, explica Huerta.

Além disso, há os assintomáticos, como explica María Fernanda: “Não se tem necessariamente cobiça com problemas respiratórios”. Isso se aplica a outras medidas de busca de sintomas.

5) Barreiras físicas

No caixa do supermercado, entre as mesas de uma praça de alimentação do shopping, por exemplo, há placas de acrílico ou material semelhante. Este cuidado realmente funciona.

“Sim, qualquer método de barreira funciona”, diz a virologista. O que pode ser usado para bloquear a passagem de gotículas da respiração de uma pessoa para outra evita o contágio. É o princípio pelo qual as máscaras funcionam (as adequadas e bem ajustadas).

6) Evitar tocar em superfícies ou objetos

Chaves, telefone celular, o botão do elevador do seu prédio, mesas… tocar essas superfícies é evitado por muitas pessoas, mas nesse caso, não é o local principal do contágio.

A questão é lavar as mãos após o contato e antes de comer. É pequena a chance de contágio pelo toque no rosto, mas os especialistas mantém a recomendação de se higienizar.

“Nos dizem que se o homem anterior espirrou na mão e que leva a mão contaminada ao elevador e depois toca no botão e outra pessoa toca no botão e traz o vírus bem ao nariz. Pode acontecer, mas é tremendamente improvável”, diz María Fernanda.

Desinfetar sacolas e medir temperatura: saiba o que não funciona para se prevenir da Covid-19
Privilegie espaços abertos e evite locais fechados, como academias. (Foto: Edemir Rodrigues, Subcom-MS)

As superfícies de lugares lotados sempre foram foco de infecções, “não é que os botões de elevador tenham se tornado perigosos agora”.

Afinal, o que realmente funciona?

Algumas recomendações clássicas ainda permanecem e todo mundo já conhece. Mas vamos relembrar:

  • Evite aglomerações;
  • Faça atividades ao ar livre e não em espaços fechados; 
  • Evite encontros com muitas pessoas e aglomerações em geral;
  • Lave as mãos;
  • Mantenha o distanciamento social;
  • Use máscaras.

As informações são da CNN Brasil.

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