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Assad afirma que ataque químico foi ‘100% fabricado’

Suposto ataque químico causou em 4 de abril a morte de 87 civis, incluindo 31 crianças

Henrique Kawaminami Publicado em 13/04/2017, às 15h01

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Foto: AFP/Arquivos / JOSEPH EID

Suposto ataque químico causou em 4 de abril a morte de 87 civis, incluindo 31 crianças

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que o ataque químico em uma cidade rebelde da Síria foi totalmente fabricado e serviu de "pretexto" para justificar os ataques americanos contra o exército sírio, em uma entrevista exclusiva concedida na quarta-feira à AFP em Damasco.

"Para nós, trata-se de um evento 100% fabricado", afirmou Assad em sua primeira entrevista após o suposto ataque químico de Khan Sheikhun, na província de Idlib (noroeste), e as represálias americanas.

"Nossa impressão é que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, é cúmplice dos terroristas e que montou essa história para servir de pretexto para o ataque" americano de 7 de abril contra uma base aérea no centro do país, acrescentou Assad.

Os ocidentais culparam o regime de Assad pelo suposto ataque químico e, em retaliação, os Estados Unidos realizaram seus primeiros ataques contra uma base militar do regime sírio desde o início do conflito, há seis anos.

O suposto ataque químico, cujas imagens de pessoas atingidas chocaram o mundo, causou em 4 de abril a morte de 87 civis, incluindo 31 crianças, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"As únicas informações disponíveis para o mundo até o momento presente são as publicadas pela facção da Al-Qaeda", assegurou o chefe de Estado sírio em referência ao grupo extremista islâmico Fatah al-Sham, que controla a cidade de Khan Sheikhun com os rebeldes.

Assad negou qualquer envolvimento no ataque, argumentando que seu regime não possui armas químicas desde 2013.

"Nós não possuímos armas químicas (…) Há vários anos, em 2013, renunciamos a todo o nosso arsenal (…) E mesmo que possuíssemos tais armas, nunca usaríamos", ressaltou ele.

O presidente sírio afirmou ainda que deseja uma investigação sobre o que aconteceu em Khan Sheikhun, mas desde que seja "imparcial".

"Vamos trabalhar (com os russos) para uma investigação internacional. Mas deve ser imparcial. Só iremos permitir uma investigação se, e somente se, for imparcial e com a participação de países imparciais para ter a certeza de que não será utilizada para fins políticos", disse ele.

Jornal Midiamax