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Prêmio Sakharov 2016 vai para iraquianas ex-escravas sexuais resgatadas do EI

A cerimônia de entrega do prêmio pelo Parlamento Europeu será 14 de dezembro

Henrique Kawaminami Publicado em 27/10/2016, às 14h41

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A cerimônia de entrega do prêmio pelo Parlamento Europeu será 14 de dezembro

As ativistas iraquianas Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar, de origem yazidi, receberam do Parlamento Europeu o Prêmio Sakharov nesta quinta-feira (27). O troféu prestigia os ativistas na luta pelos direitos humanos.

Nadia e Lamiya foran resgatadas das mãos do Estado Islâmico. O grupo extremista sequestrou milhares de garotas yazidi no Iraque para converte-las em escravas sexuais.

O vice-diretor da organização yazidi Yazda, Ahmed Burjus, afirmou ao jornal Folha de São Paulo que o prêmio “foi uma grande notícia”. “É um apoio moral não apenas para Murad, mas também para toda a comunidade que o Estado Islâmico quer eliminar da terra”.

O Sakharov foi anunciado por Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu. A cerimônia de entrega deve ser realizada no dia 14 de dezembro, em Estrasburgo. A ativistas vão receber o equivalmente a R$ 170 mil.

O vencedor da última edição do prêmio foi o blogueiro saudita Raif Badawi, preso e açõitado devido à acusação de insultar o islã.  

História de vida

Nadia e Lamiya são defensoras públicas da comunidade yazidi no Iraque, uma minoria religiosa que tem sido objeto de genocídio por militantes do EI. Em 3 de agosto de 2014, o EI assassinou todos os homens da aldeia de Kocho, cidade natal de Lamiya Aji Bashar e Nadia Murad, em Sinjar, no Iraque. Após o massacre, as mulheres e as crianças foram escravizadas. Todas as jovens foram raptadas, compradas e vendidas várias vezes e exploradas sexualmente.

Durante o massacre de Kocho, Nadia Murad perdeu seis dos seus irmãos e a mãe, que foi morta juntamente com oitenta mulheres mais idosas consideradas como não tendo qualquer valor sexual. Lamiya Aji Bashar também foi explorada como escrava sexual, juntamente com as suas seis irmãs. Foi vendida cinco vezes entre os militantes e forçada a fabricar bombas e coletes suicidas em Mossul depois de os militantes do EI executarem seus irmãos e seu pai.

Em novembro de 2014, Nadia Murad conseguiu fugir com a ajuda de uma família vizinha, que a retirou clandestinamente da zona controlada pelo EI, permitindo que seguisse para um campo de refugiados no Norte do Iraque e depois para a Alemanha.

Um ano mais tarde, em dezembro de 2015, Nadia dirigiu-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na sua primeira sessão sobre tráfico de seres humanos com um discurso de grande impacto sobre a sua experiência. Em setembro de 2016, tornou-se a primeira embaixadora da Boa Vontade do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico de Seres Humanos, participando em iniciativas de sensibilização globais e locais sobre a situação das vítimas do tráfico de seres humanos. Em outubro de 2016, o Conselho da Europa homenageou-a com o Prêmio dos Direitos Humanos Václav Havel.

Lamiya Aji Bashar tentou fugir várias vezes até escapar finalmente, com a ajuda da sua família, que contratou passadores locais. Ao fugir da fronteira curda para território controlado pelo governo do Iraque, uma mina terrestre explodiu, matando duas pessoas das suas relações e deixando-a ferida e quase cega. Felizmente, conseguiu escapar e acabou por ser enviada para tratamento médico na Alemanha, onde se juntou aos seus irmãos sobreviventes. Desde a sua recuperação, Lamiya Aji Bashar tem trabalhado ativamente na sensibilização para a situação da comunidade yazidi e continua a ajudar mulheres e crianças que foram vítimas da escravidão e das atrocidades do EI

Jornal Midiamax