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Grupos sírios de ajuda suspendem cooperação com a ONU

Acusam a organização de serem manipuladas pelo Governo

Ana Paula Chuva Publicado em 08/09/2016, às 21h15

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Acusam a organização de serem manipuladas pelo Governo

Mais de 70 grupos sírios de ajuda suspenderam sua cooperação com a Organização das Nações Unidas e acusaram as agências de ajuda humanitária do organismo e seus homólogos de serem manipulados pelo regime, de acordo com uma carta revelada nesta quinta-feira (8).

Na carta dirigida ao Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) os 73 assinantes demandaram uma investigação imediata e transparente nas agências da ONU que trabalham na Síria e pediram que seja criado um órgão de controle para supervisionar as atividades de ajuda.

"Ficou claro para muitas organizações que o governo sírio em Damasco tem uma significativa e substancial ingerência na atuação das agências das Nações Unidas que trabalham na capital, assim como em seus homólogos", incluindo a Cruz Vermelha Síria, diz a carta.

"O governo sírio está interferindo na entrega de ajuda humanitária em múltiplas instâncias", escreveram os grupos de ajuda.

Na carta, as ONGs anunciam a suspensão de sua participação no mecanismo de compartilhamento de informações até que seja alcançado um novo mecanismo que não tenha influência política. Também pedem uma revisão no processo de retirada por motivos médicos de pessoas de cidades sitiadas pela guerra. Segundo a carta, este processo deve ter novos protocolos para ser transparente e não estar sujeito a negociações políticas ou à influência das partes envolvidas no conflito.

Entre os assinantes estão a Sociedade de Medicina Síria-Americana e a Defesa Civil Síria, conhecidos como os capacetes brancos, que têm uma presença ativa nas zonas controladas pela oposição.

Mais de 290 mil pessoas morreram na guerra civil que começou há 6 anos e os esforços para terminar o conflito fracassaram.

Os grupos que assinaram a carta dão assistência a 7 milhões de sírios – mais de 6 milhões que vivem no país e outros que estão deslocados em países vizinhos como Jordânia, Líbano e Turquia.

Jornal Midiamax