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Em visita a presídio boliviano, papa diz que prisão não deve ser exclusão

Francisco se apresentou como "um homem que foi e é salvo de seus muitos pecados"

Gerciane Alves Publicado em 10/07/2015, às 17h02

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Francisco se apresentou como “um homem que foi e é salvo de seus muitos pecados”

O papa Francisco visitou nesta sexta-feira a Penitenciária de Palmasola, na Bolívia, que abriga cerca de 5 mil detentos, apesar de ter capacidade para apenas 600, e disse que a prisão não é sinônimo de exclusão, destacando a importância do processo de reinserção.

“Não podia deixar a Bolívia sem vir aqui. Prisão não é o mesmo que exclusão”, assim começou o discurso do papa na penitenciária, que abriga os presos mais perigosos do país.

Francisco se apresentou como “um homem que foi e é salvo de seus muitos pecados”.

No quadra do Pavilhão PC-4, de regime semiaberto, que abriga cerca de 3.800 detentos, sendo 54 brasileiros, ele disse que a reclusão faz parte de um processo de reinserção na sociedade, mas destacou que sabe que são muitos os aspectos que levam alguém a esse lugar.

No encontro, o responsável nacional pela Pastoral Carcerária e organizador da visita do papa, o padre brasileiro Leonardo da Silva, que mora há 10 anos na Bolívia, afirmou que se sente “mais seguro dentro da prisão do que fora, na sociedade”. Já o bispo Jesús Juárez denunciou o “escândalo” dos atrasos da Justiça e que 84% das pessoas privadas de liberdade não têm uma sentença definitiva fixada, assim como condenou a “aglomeração que nega a dignidade humana”.

Francisco pediu então “uma rápida e eficaz aliança interinstitucional para encontrar respostas, mas, enquanto se luta por isso, não se pode dar tudo por perdido”.

O pontífice recebeu o livro “Vozes em liberdade”, escrito por detentos de todo o país, fruto do trabalho do padre Leonardo, que contou que os textos foram escritos livremente. O material traz orações, exemplos de reinserção experiências de pessoas sentenciadas injustamente e relatórios sobre as condições vividas.

Francisco escutou com atenção o depoimento de alguns presos e destacou a importância da presença das famílias.

“Como a dor não é capaz de apagar a esperança no mais profundo do coração, a vida segue brotando com força em circunstâncias adversas”, afirmou.

Francisco falou de São Pedro e São Paulo, “discípulos de Jesus que também foram presos” e incentivou a oração, pois é o que sustenta e ajuda e a não “cair no desespero e na escuridão”.

“Quando se sentirem tristes, mal, abatido, olhem para o rosto de Jesus crucificado, porque em seu olhar, todos podemos encontrar espaço. Todos podemos colocar junto a ele nossas feridas, nossas dores e nossos pecados”, aconselhou.

Antes de dar a bênção final, o papa pediu para que todos rezassem em silêncio, da forma que soubessem, e, como costuma dizer, pediu para que rezassem por ele.

“Eu também tenho os meus erros e devo fazer penitência”.

Francisco ainda se reunirá com os bispos da Bolívia e, mais tarde, irá ao Paraguai, a última etapa de sua viagem pela América Latina.

Jornal Midiamax