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Doença forçada de Júlia para selar pazes de Ana e Manu não convence público: 'coloco pra dormir'

Final xexelento de 'A Vida da Gente' desanima e é usado como sonífero

João Ramos Publicado em 03/08/2021, às 12h05

Últimos capítulos são movimentados por doença forçada para reconciliação
Últimos capítulos são movimentados por doença forçada para reconciliação - (Foto: TV Globo)

Prestes a exibir seu desfecho, "A Vida da Gente" sairá de cena com uma reputação pior do que há 9 anos, quando chegou ao fim em sua primeira transmissão para a TV Globo, pelo menos para o público de casa, o verdadeiro telespectador das telenovelas.

Enquanto a crítica especializada aclama e 'lambe' o folhetim de Lícia Manzo, o telespectador do sofá é inconformado com os absurdos forçados na história para sustentar um "amor entre irmãs".

Na última semana, uma "muleta" narrativa já batida foi usada pela autora para viabilizar as pazes entre Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano): o transplante de um órgão. Várias novelas se usaram de doações para concluir suas histórias, vale citar a recente "Totalmente Demais", em que o mocinho Jonatas (Felipe Simas) foi esfaqueado e precisou receber um transplante de fígado da amada Eliza (Marina Ruy Barbosa), fato culminante para o casal, que estava separado, terminar junto.

Pais da menina vivem preocupação no folhetim (Foto: TV Globo)

Curiosamente, o mesmo transplante de fígado une Ana e Manu no final de "A Vida da Gente", que será exibido nesta sexta-feira (6). Pela filha, elas deixam as desavenças e a tia doa o próprio órgão à menina. Sem empolgação nos últimos capítulos, movidos pelo marasmo hospitalar de uma hepatite fulminante inventada de última hora, o público não se vê compadecido nem da garota e nem de seus familiares, que enfrentam uma angústia predominante na derradeira da trama.

De tão sem graça, os capítulos têm sido usados até como sonífero pelos telespectadores. "Coloco pra dormir. Ligo a TV, deito no sofá e durmo rapidão. Sabe quando você tá cansada, chegou esgotada do trabalho... então, uso ela pra conseguir apagar logo, é fácil. Muito chata e arrastada, desde semana passada tenho feito isso", relata a vendedora Marcela Cunha ao Jornal Midiamax.

Casal irrita público do sofá (Foto: TV Globo)

Ela diz que adorava o folhetim, mas ficou incrédula com os rumos e com a 'tal proposta' da novela: "Que irmã perdoaria a outra com uma traição dessa? Você passa anos em coma, acorda e descobre que sua irmã tá casada com seu namorado e sua filha tá chamando ela de mãe. Não existe isso, ninguém perdoa. Não tem perdão. Absurda essa novela, nojenta", dispara.

A opinião da vendedora representa maioria que se manifesta nas redes sociais da Globo. Qualquer publicação sobre "A Vida da Gente" nos perfis oficiais da emissora conta com a predominância de comentários semelhantes ao de Marcela: o verdadeiro público do sofá. Na bolha twitteira, que vê novela por recortes e se baseia na opinião da crítica, acontece justamente o oposto: a aclamação do folhetim.

Cena final vai ao ar na sexta-feira, decepcionando uma legião de fãs (Foto: TV Globo)

10 anos se passaram desde a primeira vez que "A Vida da Gente" foi ao ar, mas neste reprise a percepção do público não mudou muito, quase nada. Apesar da idolatria acontecer em maior volume, alguns gatos pingados ainda expõem sensatez ao opinar na "bolha" uma impressão negativa à trama. Compare as datas de opiniões publicadas na rede social em 2011 e em 2021:

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