No último domingo (16), o programa Fantástico, da Globo, exibiu uma entrevista com a mulher que denunciou o empresário e ex-BBB Felipe Prior por estupro. Prior foi condenado a seis anos de prisão em regime semiaberto e poderá recorrer em liberdade. Em nota, seus advogados alegaram inocência.

A mulher contou detalhes da experiência traumática que viveu em 2014, quando tinha 22 anos. Na noite do crime, ela e Prior estavam em uma festa universitária, em São Paulo, onde ambos estudavam. Importante ressaltar que o relato é forte. Se você é sensível ao assunto, recomendamos que interrompa a leitura.

A vítima contou que após a festa, pegou carona com Prior e, no caminho para sua casa, ele parou o carro e a estuprou. “Quando a gente estava indo em sentido a minha casa, ele parou o carro no meio da rua. Ele foi para o banco de trás e me puxou. Desafivelou meu cinto, começou a me beijar e começou a tirar minha roupa. À medida que as coisas iam acontecendo, ele se tornava cada vez mais agressivo comigo. Eu falei ‘Felipe, eu não quero, não quero’. Eu comecei a tentar resistir fisicamente e ele começou a puxar meu cabelo. Começava a me segurar pelos braços, me segurar pela cintura. Proferiu umas frases muito… Ele começou a falar para eu parar de me fazer de difícil, que é claro que eu queria. Que agora não era hora de falar que não e começou a forçar a penetração”, contou.

“Quantas vezes eu preciso falar ‘não’ para a pessoa entender que ela está me machucando? Que ela está me violentando? Ele é muito mais forte que eu. Então eu não tinha como sair dessa situação. Foi bem doloroso. Eu gritei. Começou a sair muito sangue. Foi o susto que ele teve que levar para parar a situação. Porque fez uma poça de sangue no carro dele, nele. Ele perguntou se eu queria ir para o hospital. Aí eu falei que não, que eu só queria ir para minha casa. Quando eu cheguei na minha casa, eu fui direto para o banheiro. Fiquei no chuveiro tentando estancar o sangue sozinha, mas minha pressão já estava muito baixa. Fui acordar minha mãe e pedi para ela me ajudar. E aí ela deu uma olhada no machucado, levantou e falou, a gente vai pro hospital”, explicou.

Ela continuou falando sobre o que aconteceu no dia seguinte, ao ser examinada pela equipe médica. “A médica me perguntou diversas vezes, perguntou para minha mãe, o que de fato tinha acontecido, que lá era um lugar seguro, que eu podia confiar nela, que era necessário falar a verdade, mas eu não quis falar. O Felipe, no dia seguinte, me mandou uma mensagem. Perguntando como eu estava. E eu falei que eu estava machucada, que tinha feito uma ferida e pedi para ele não contar para ninguém. E eu estava com medo dele falar para as outras pessoas e eu ficar marcada por essa situação”, afirmou.

Quando a reportagem perguntou se ela se via como uma vítima de abuso sexual, ela negou. “Não, eu não me via assim. Eu achava que eu ia conseguir apagar isso da minha vida e seguir em frente, como se nada tivesse acontecido. Mas isso não aconteceu. Eu tive crise de pânico, crise de ansiedade, agravaram muito mais a minha situação psicológica”, afirmou ela, que passou a se ver como vítima anos depois. “Eu só decidi denunciar tudo o que aconteceu depois que eu comecei a receber das minhas amigas prints de tweets de outras mulheres falando que tinham sido abusadas e violentadas por ele”, explicou.

Defesa de Prior alega inocência

Logo após a acusação de Felipe Prior se tornar pública, na última segunda-feira (10), a assessoria do empresário publicou em suas redes sociais a nota oficial da defesa.


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