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Metas para 2022: confira os planos dos campo-grandenses e dicas para que tudo saia do papel

Especialistas e moradores da Capital falaram sobre as técnicas e a eficiência dos planos para o próximo ciclo

Ranziel Oliveira Publicado em 31/12/2021, às 07h01

Calendário de 2022, ilustrativa
Calendário de 2022, ilustrativa - (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Um novo ano se aproxima e com ele os tradicionais planos para o novo ciclo: estudar, praticar exercícios, guardar dinheiro, mudar de vida. A lista é infindável. Mas, por que esses planos sempre surgem no fim do ano? E quais as técnicas para fazer as coisas acontecerem? 

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Rosina Confaloniere (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Para o auxiliar de loja Gabriel Cabrera, de 20 anos, fazer planos com o atual cenário mundial se tornou uma coisa incerta e pouco viável. “A última vez que tentei [planejar algo] foi no final de 2019. Veio a pandemia, eu planejei, e não deu certo. Quero voltar a estudar, mas tem que ver se a faculdade vai voltar. Tudo é imprevisível, não dá para planejar”, disse.

Nascida no Uruguai e do mesmo time que não entra nos planejamentos para o Ano Novo, a artesã Rosina Confaloniere, de 29 anos, acredita que a mudança é diária e não deve ser ditada por uma data em específico.

“Final do ano é uma data comercial, é romantização isso de fechar um ano e começar outro ciclo. Essa questão de planos é tudo sabotagem pra você mesmo, depois começa o ano e você não muda. A mudança é diária, todo dia ver alguma coisa e tratar de mudar pra melhor”, detalhou.

Em tempos de crise, até a expansão da horta entrou na lista de planejamento

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Irene Silva de Morais (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Para a aposentada Irene Silva de Morais, de 58 anos, as mudanças são uma parte importante para o próximo ano e devem ser feitas com mais cuidado em tempos de instabilidade.

“Nessa crise que a gente está vivendo, é até suspeito falar em mudanças. Vou organizar a casa cada vez mais, porque a gente não sabe o que vem pela frente. Irei poupar dinheiro, consumir o necessário e não esbanjar”, explicou.

Oriunda da zona rural, a aposentada conta que estar preparada para as mudanças foi uma lição importante em sua vida, que não foi esquecida com o passar dos anos.

“Vou plantar mais verduras no quintal, eu já nem faço quinta verde. Tenho abóbora, mandioca e até melancia. A gente morou na fazenda, a gente sabe que você colhe o que você planta”, disse ela.

Moradora do município de Bandeirantes, Tais Marques, de 18 anos, enxerga na mudança de comportamento para 2022 uma forma de melhorar de vida, e cuidar melhor da sua família. “Tenho uma filha pequena, quero melhorar o acesso à saúde pra ela. Tirar uma casa própria e terminar os meus estudos”, finalizou.

Especialista em organização

Entrar o ano novo com casa limpa e arrumada é um dos rituais mais comuns. E tem quem consiga até fazer dinheiro com isso, como o sócio-proprietário da empresa Casal Organiza, Cléber Gomes, de 51 anos. Carlos defende que a mudança da vida começa dentro de casa, e depois é repassada para outros segmentos da existência. Na empresa dele, o aumento da procura por novos ares dentro do próprio lar começa a ser sentido já em novembro.

“No final do ano a procura é maior. Ano passado o aumento foi de 40%.  As pessoas têm mais tempo, pegam férias e participam juntas da organização. Final do ano tem essa preocupação, organizar e dar mais leveza para a casa, deixar ela mais suave e equilibrada. Como se fosse uma limpeza, tirar o que não está usando e começar o ano com menos coisas para administrar”, explica.

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Antes (Arquivo pessoal / Casal Organiza)
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Depois (Arquivo pessoal / Casal Organiza)

Segundo ele, o objetivo da intervenção é fazer com que os moradores voltem a ter o prazer e a alegria de ficar em casa. “Atendemos pessoas de classe média, não só de classe alta. A pessoa quer manter aquilo depois, nós explicamos presencialmente, damos um minicurso, e na maioria das vezes a organização é mantida ao longo dos meses”, finalizou.

O que diz a psicologia

Para compreender esse espírito de mudança que envolve as pessoas no fim do ano, o Jornal Midiamax conversou com a psicóloga clínica e especialista em saúde mental, Claudia Malfatti.

Midiamax: De onde vem esse comportamento de mudança e por que ele surge na maioria das vezes na véspera do ano novo?

Claudia: O final do ano é o período em que as pessoas refletem sobre como foi o decorrer do ano, quais foram as conquistas e frustrações. Neste balanço, vêm os planos de fazer diferente no ano seguinte. Para muitos, o ano novo é a famosa segunda-feira, que sempre vira referência para o início de algo, por exemplo, dieta, academia…

Midiamax: Por que, em muitos casos, os planos não são finalizados ou sequer saem do papel?

Claudia: Pode ser por vários motivos. A pessoa exagera no planejamento colocando coisas além do que seria humanamente possível acrescentar na rotina; ou por falta de comprometimento consigo mesmo; por não entender que toda a mudança vem de um processo, não é da noite para o dia. O ano é novo, mas para dar resultado diferente o comportamento também precisa ser diferente.

Midiamax: Como mudar esse comportamento, e realmente concluir as metas para o outro ano?

Claudia: Entender que tudo é parte de um processo e que a persistência é fundamental para isso. Também identificar se o desejo de mudança é seu mesmo, ou se está tentando repetir o padrão que o outro tem.

Jornal Midiamax