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Pandemia: Pais e mães relatam a experiência e desafios das aulas remotas em casa

O isolamento necessário fez com que muitos pais passassem a vivenciar o que os professores são treinados para atuar em sala de aula. 

Carlos Yukio Publicado em 14/12/2020, às 12h05 - Atualizado às 12h09

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Pandemia: Pais e mães relatam a experiência e desafios das aulas remotas em casa

Com a chegada da pandemia do coronavírus em 2020 e instrução dos órgãos de saúde para que todos ficassem em isolamento o máximo possível, muitas crianças foram mandadas para casa e passaram a ter aulas remotas. Essa ação necessária fez com que muitos pais passassem a vivenciar o que os professores são treinados para atuar em sala de aula.

Muitas escolas tomaram inciativa de mandar kits escolares semanalmente, ou fazerem vídeo aulas gravadas para que os alunos aprendessem normalmente nesse ano tão atípico. Apesar disso, mudar uma rotina que antes consistia com a presença na escola para o isolamento social não é uma tarefa fácil. Conversamos com alguns pais que nos contaram como foi esse processo de adaptação.

Desafios

Pandemia: Pais e mães relatam a experiência e desafios das aulas remotas em casa

O professor de Filosofia e interprete de LIBRAS Francisco Matrone Cabulon Junior tem dois filhos, Luiz Miguel de 7 anos, e João Marcos, de 2 anos. Segundo ele, lidar com as aulas remotas do filho mais novo foi mais fácil para ele para o marido, Rafael, do que alfabetizar o mais velho. Em casa, o professor também contou com a ajuda da irmã, de outra cidade, para acompanhar o filho a se desenvolver. Em algumas atividades, até o carro virava sala de aula.

“O mais velho está na época de alfabetização. Na maioria das vezes que tínhamos que sair, deixávamos ele com a babá, que não dava conta. Os cadernos ficaram um pouco atrasados, parece que o 1º ano dele não foi desenvolvido. Foi muito frustrante porque nos sentimos impotentes”, explica.

Francisco também ressaltou as mudanças de rotina. Assim que a pandemia se tornou algo concreto, ao mesmo tempo que tinha que ensinar e entreter os filhos em casa, tinha que trabalhar o tempo todo fazendo vídeos e atendendo os próprios alunos. “O compromisso de um professor aumentou de 3 a 4 vezes que já era difícil. Do mesmo jeito que vejo que meu filho não está chegando, vejo que meus alunos não estão conseguindo”.

Sobrecarga

Pandemia: Pais e mães relatam a experiência e desafios das aulas remotas em casa

A servidora pública e bacharel em Direito Larissa Sandim também teve que adaptar a rotina para que a filha de 2 anos e meio, Beatriz, pudesse estudar de casa. Mãe solo, quando está com a filha no dia da guarda compartilhada, está sozinha. Pela idade, a criança necessita de atenção constante. O que acaba sobrecarregando a mãe somado aos afazeres de casa e do trabalho.

“Sendo só uma, parece que reque ainda mais a atenção da mãe. Eu mal consigo comer. E ainda tem as atividades da casal, trabalho doméstico. É bem desafiador e dar conta de tudo ao mesmo tempo. A impressão é de que você não consegue ser bom em nada. Você faz tudo pela metade e não consegue fazer 100%”, conta a servidora pública.

Larissa explica que a pandemia a fez reconhecer muito mais o trabalho das professoras de educação infantil e que a mudança de rotina foi drástica. Emergências médicas e outros tipos de atenções necessárias acabam extrapolando o planejamento diário e a servidora se vê obrigada a ser ‘multitarefas’ para sobreviver e manter a saúde mental em dia.

“Eu já fazia antes da pandemia acompanhamento médico e psicoterapia. É uma forma de lidar com o stress. Na pandemia tive que concluir estudos e não tive como fazer, nesse momento, com a bebê o tempo todo comigo. Entrei em acordo com o pai para ficar mais dias com ela para eu conseguir terminar nos prazos”, explica. “Não tem como se dedicar a algo, com a criança o tempo inteiro exigindo as necessidades do seu lado”.

Dicas para os pais:

  • Concentre-se nas necessidades básicas

Se estiver se sentindo sobrecarregado, comece com as necessidades básicas suas e do seu filho: dormir bem, alimentar-se de forma saudável e fazer alguma atividade física. Quando essas necessidades básicas forem atendidas, você poderá definir metas adicionais. Comece com o que precisa ser feito. Em seguida, pense em acrescentar o que você gostaria de fazer.

  • Peça ajuda

Não há nada de errado em pedir ajuda à sua comunidade ou rede de apoio. Você pode buscar o apoio do professor do seu filho, da sua comunidade religiosa ou espiritual, de outro pai/mãe ou de um membro da família. Lembre-se de que, ao pedir ajuda, você também está criando um modelo desse comportamento para seu filho.

  • Comemore pequenas vitórias

Lembre-se de que você é um bom pai fazendo o melhor que pode. Vale a pena comemorar cada conquista por menor que seja. Procure manter uma lista do que você fez bem a cada dia e concentre-se nisso quando estiver se sentindo frustrado.

  • Pratique a empatia

A situação atual é difícil para todos, inclusive para o seu filho. É normal que as crianças fiquem ansiosas, o que pode levá-las a agir mal. Se as emoções ou o comportamento de seu filho saírem do controle, respire fundo algumas vezes. Converse com seu filho sobre o assunto com calma. Você pode reconhecer o que seu filho está sentindo e ser honesto sobre seus próprios sentimentos também. Quando as coisas estiverem indo bem, seja generoso nos elogios e reforce o comportamento positivo.


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