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Comportamento

Desenganada, Ilza usou o amor pela música e a solidariedade para driblar diagnóstico

O projeto Sarau Raízes nasceu da solidariedade e do amor pela música de Ilza, que recebeu um diagnóstico cruel e encontrou rumo para a vida.
Arquivo -

Ainda jovem a aposentada Ilza Feitosa Nogueira, de 66 anos, aprendeu a tocar sanfona, mas a vida fez com que a música ficasse em segundo plano. Diante de um diagnóstico cruel e uma profunda depressão, ela encontrou “um gancho para pegar o rumo da vida”.

A sanfona e o amor pela música é a origem do projeto Sarau Raízes. | Foto: Tatiana Marin
A sanfona e o amor pela música é a origem do projeto Sarau Raízes. | Foto: Tatiana Marin

Tive uma doença cardíaca grave e o médico me deu 1% de chance de vida. Eu pensei que se eu fosse morrer, queria estar abraçada com a minha sanfona. Sempre toquei sanfona e acalentei aquele desejo na alma. Estava tentando me recuperar da depressão e busquei aquele sonho no fundo do baú”, contou ela ao MidiaMAIS. A mãe de 4 filhos, que optou pela profissão e trabalhou como enfermeira por 45 anos, diz que nunca se acostumou com a dor dos outros.

E esta inquietação é que faz Ilza seguir e fez o destino driblar a sentença médica. “Naquele dia, quando me sentei para tocar a sanfona, as pessoas se reuniram em minha volta. Toquei por duas horas. E me deram a ideia de criar um projeto de reunir a melhor idade”, relembra Ilza.

Sarau Raízes

E assim começou o Sarau Raízes, com 4 idosos. “Todos doentes”, descreve ela. O projeto foi crescendo e conquistando reconhecimentos, de moções na Câmara de Vereadores a Certificados. Em prol da iniciativa, ela ganhou 20 violões do Tribunal de Justiça. Hoje, cerca de 120 músicos fazem parte da ação.

Alguns dos 20 violões que o Sarau Raízes ganhou do Tribunal de Justiça. | Foto: Tatiana Marin
Alguns dos 20 violões que o Sarau Raízes ganhou do Tribunal de Justiça. | Foto: Tatiana Marin

Mas a iniciativa de Ilza não fica somente na reunião de idosos que gostam de música, para que esse projeto vingue, ela providencia, ou tenta providenciar, estrutura social e econômica para eles. “Encontro idosos em situação de vulnerabilidade, com problema de saúde, em conflito com a família por causa da música”, explica. “A família e a música são os dois grandes amores do músico, mas elas são inimigas mortais, por isso trabalhamos com o fortalecimento de vínculos”, adiciona.

Ilza leva o artesanato para as esposas dos músicos, como meios de aumentar os rendimentos da família. | Foto: Tatiana Marin
Ilza leva o artesanato para as esposas dos músicos, como meios de aumentar os rendimentos da família. | Foto: Tatiana Marin

Outra atividade levada adiante através do projeto é o artesanato. “A gente quer fomentar a economia solidária. Precisamos apascentar o idoso dentro de seu contexto. A vida deles é uma bagunça, eles têm N ocupações, eles não têm como se manter, muitas vezes tem que cuidar dos netos”, destaca Ilza. Ainda, o projeto tem outra frente que é a musicalização com os jovens.

“Esta instituição é para proteger o músico da melhor idade e resgatar a família do músico. Precisamos de um espaço. Onde estamos é provisório. O ponto chave é o encontro dos músicos, que tem 4 anos ininterruptos, mas agora não temos espaço. Até as aulas de violão estão paradas”, lamenta.

Confira no vídeo o que o Sarau Raízes tem feito na vida de jovens e idosos.


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