Parafraseando o artista plástico Marcos Rezende, “com o céu azul ficou poeticamente fantástico”. E nem a chuvinha que insiste em cair – e mudou um pouco as cores – ofuscou a beleza do painel. Assim, nesta quinta-feira (26), Manoel de Barros surge em formato gigante, com o sorriso que parece abraçar o mundo, em plena Rua 14 de Julho, quase esquina com a Avenida Afonso Pena, no coração de Campo Grande.
Ao MidiaMAIS o artista, que foi almoçar feliz da vida agorinha, após encerrar uma jornada de 96 horas colorindo o Manoel, disse que o céu sempre foi uma extensão do poeta e agora ali, eternizado na elevada parede, o céu e ele ficam um como extensão do outro.
“Quando comecei a criar o mural do Manoel de Barros, não imaginava que estava prestes a embarcar em uma jornada de autodescoberta e conexão profunda com a obra do poeta. Dentre tantas coisas lindas que nos deixou, uma frase nesse contexto foi a que mais me tocou: ‘Sou livre pro silêncio das formas e cores’. Aqui, encontrei um eco da minha própria busca por liberdade criativa e expressão autêntica”, ressaltou Marcos.
Artista diz que o ‘silêncio urbano’ foi inspiração para ele criar algo ‘verdadeiro e único’
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Desta forma, ironicamente, enquanto criava, disse que “o silêncio era urbano”, no caos organizado que cerca a cidade. “O barulho dos carros, o rugido dos motores, sirenes, o burburinho das pessoas, os pássaros que iam e vinham parecendo querer a benção do vosso poeta que ali surgia. Tudo isso se refletiu na obra, de alguma forma, no entanto, foi justamente nesse contraponto, entre o silêncio das formas e cores e o caos urbano, que encontrei a inspiração para criar algo verdadeiramente único”, explicou Rezende.
Ainda conforme o artista plástico, as formas e cores são a “sua maneira” de dizer as coisas, de “poetizar o mundo”. “É através delas que expresso meus sentimentos, minhas emoções e minhas reflexões. Nesse silêncio urbano, encontrei a inspiração de expressar a simples complexidade da minha natureza e essência. Este mural testemunha essa jornada, uma homenagem à liberdade e a beleza que Manoel de Barros nos inspira a buscar a cada palavra que desenhou no papel”, ressaltou.
Por fim, Marcos disse que, se o quintal do Manoel era “maior que o mundo”, também era necessária uma tela de igual proporção para pintar o tamanho da sua importância. “Viva Manoel, viva a Arte!”, encerrou.
Leia aqui a cobertura do Midiamax sobre os murais gigantes no Centro de Campo Grande:
Dez anos depois, Manoel de Barros ‘ressurge’ para iluminar a 14 com energia sustentável