Na última terça-feira (16), a tocha dos Jogos Olímpicos de 2024 foi acesa na Grécia, dando início ao revezamento até chegar a Paris, cidade que sediará os Jogos. Em 2016, quando o Rio de Janeiro sediou a competição, Campo Grande também esteve entre as cidades brasileiras que receberam a tocha olímpica.

No time de quem conduziu a tocha num percurso que, só em Campo Grande, foi de 40km, estava o jornalista Marcelo Varela. Ele contou ao Jornal Midiamax o que viveu naquela época, há quase 10 anos, durante a corrida de revezamento, uma tradição que antecede a abertura oficial dos Jogos Olímpicos.

A escolha dos condutores levou em conta suas representatividades em um determinado segmento na sociedade. Ao todo, o percurso contou com 150 participantes, que correram 40 km, da Base Aérea de Campo Grande até o Parque das Nações Indígenas, sem falar em outros trajetos no Estado.

O convite

Uma série de eventos levou Marcelo Varela a ser convidado pela organização para participar do revezamento. O convite pegou o jornalista de surpresa, e mal conseguia acreditar que seria um dos condutores da tocha.

“Eu já estava participando de um programa junto a uma das patrocinadoras dos Jogos Olímpicos, a Coca-Cola. Eu era bolsista, fazendo curso de extensão com eles e alguns eventos eu era convidado esporadicamente para participar. No caso da tocha olímpica, eu já estava exercendo o cargo de jornalista, e por ser estudante, bolsista, veio o convite”, explicou.

O convite veio em formato de vídeo, onde o apresentador Luciano Hulk, um dos embaixadores da Olimpíadas em 2016, contava a Marcelo que ele foi escolhido para esse momento histórico. A novidade gerou várias emoções em Marcelo, entre elas a ansiedade.

“Obviamente você fica muito emocionado porque ‘como assim eu aqui em Campo Grande sendo um dos condutores da tocha olímpica?’. Foi um processo de ansiedade até chegar o dia da condução da tocha”, contou.

Recebimento da tocha e percurso

Marcelo recebeu a tocha no dia do revezamento, na Base Aérea de Campo Grande. Todo trajeto partiria deste ponto, percorrendo bairros da Capital, até chegar no Parque das Nações Indígenas. O jornalista foi o oitavo condutor da tocha, percorrendo aproximadamente 200 metros, até passar a chama para o próximo corredor.

“Eu percorri o trecho da base aérea, no 18° blog. Fui o oitavo condutor da tocha. Foram 200 metros, que você percorre com a tocha acesa. Você recebe, tem o beijo da tocha que é quando uma tocha encosta na outra e transmite a chama olímpica para a sua tocha”, explicou.

Marcelo Varela e a tocha olímpica de 2016. (Arquivo pessoal)

Com toda adrenalina e emoção do momento, Marcelo sentiu o trajeto passar em “câmera lenta”, e o percurso de 200 metros pareceu se transformar em 1 km. “A sensação é única de felicidade de representar nosso país, nossa cidade Campo Grande. E estar com a chama olímpica, que veio diretamente da Grécia, na minha cidade, para mim foi motivo de muito orgulho e emoção”.

Praticante de esportes, Marcelo não se intimidou com o tamanho do percurso, mas seu maior receio do corredor foi de tropeçar no caminho. Contudo, com o amparo da equipe organizadora, o jornalista ficou mais seguro e tranquilo.

“Eu só estava com medo de tropeçar em alguma coisa, mas foi bem tranquilo. A todo momento você tem o suporte da equipe que vai acompanhar, e obviamente a gente vai ver isso no revezamento, nas imagens sempre tem os condutores, os guias”, relembrou.

Revezamento da tocha olímpica. (Arquivo pessoal)

Design especial

Em cada edição, um novo design de tocha olímpica é desenvolvimento, homenageando o país que sedia os Jogos. Em 2016 não foi diferente, o modelo ressalta as características físicas mais marcantes do Brasil.

“Ela tem uma parte que relembra o céu do Brasil, as montanhas, as ondas do mar e o calçadão de Copacabana. Toda tocha tem um significado, o design dessa representa a energia do povo brasileiro, a diversidade do povo brasileiro e união dos povos”, detalhou o jornalista.

Cada corredor recebeu a tocha embalada e fechada. O item possui um mecanismo de abertura, que não apenas exibe o design elaborado, mas também permite que o gás escape e assim a chama possa ser transferida de uma para outra. Contudo, a instrução era de abri-la somente quando estivesse próximo da vez de receber a chama.

Marcelo Varela conduzindo a tocha olímpica. (Arquivo pessoal)

Marcelo foi um dos sortudos que conseguiu levar a tocha, após a sua participação no revezamento, para casa. Amigos do jornalista que também ficaram com o item chegaram a receber propostas de até R$ 30 mil. Entretanto, mesmo pensando algumas vezes em vendê-la, o jornalista pretende ficar, até o momento, com a tocha de recordação desse momento tão único em sua vida.

“Por eu gostar muito de esporte, penso em não vender ainda. Não vou dizer que não vou vender algum dia para um colecionador que faça um bom uso. Gostaria que essa pessoa fizesse um bom uso, um processo histórico, catalogação. Mas, por enquanto ela está comigo”, contou.