É com muito afinco que Anselmo de Oliveira Jara, de 46 anos, cuida o trânsito na Rua Dom Aquino, quase esquina com a Rua Rui Barbosa, região central de Campo Grande. Há mais de 20 anos, ele é guardador de carros de um restaurante ali próximo, o qual sinaliza aos motoristas para estacionarem e assim saborearem a refeição. No entanto, enquanto caminha, uma sacolinha chama atenção e é ali que está a fonte do seu segredo, afinal ele também é crocheteiro de mão cheia.
Tudo começou em meados de 2002 a 2003, quando decisões erradas o fizeram ficar recluso, no município de Sidrolândia, a 70 km da capital sul-mato-grossense. Neste período, uma pessoa se ofereceu para ensinar crochê e ele então pediu para sua companheira comprar uma agulha e uma linha.

“Era a única saída que eu tinha naquele momento, então, tive interesse em aprender enquanto estive preso. E lá na cidade consegui uma loja para revender os meus produtos. Lembro até hoje, o primeiro tapete fiz com um barbante e depois é que fui para a linha fina. Hoje em dia faço até o amigurumi, não gosto muito, porque tem muitos detalhes. Fico mais nos tapetes e em panos de prato”, afirmou Anselmo ao MidiaMAIS.
Conforme Jara, muitas pessoas comentam sobre a habilidade dele. “As pessoas falam que nunca viram homem fazendo crochê assim tão rápido. Eu vou cuidando dos carros e fazendo, se deixar vou andando e fazendo, conversando e fazendo. Mas isso é porque eu sou hiperativo, não consigo ficar muito tempo parado”, brincou.

A empresária Aparecida Carvalho, de 75 anos, e o também empresário, Nivaldo Silva de Souza, de 52 anos, conhecem Anselmo há muitos anos e disseram não ter percebido o talento. “Muito bom, gostei demais da habilidade”, falou a idosa, enquanto o outro complementa: “Agora entendi o que ele carregava na sacolinha na mão, era o crochê, muito legal mesmo”, comentou.
Durante a rotina, Anselmo falou que o crochê se tornou um extra. “Sou casado e pai de quatro filhos. E aí tem horas que aperta o orçamento, então, a gente precisa fazer algo a mais. E, como tenha esta habilidade, vou fazendo e vendendo crochê. Faço um tapete entre 7 a 8 dias e tem gente que demora meses, dependendo do ponto”, ressaltou.

Por fim, Anselmo ressalta que o crochê foi algo bom que surgiu em um momento difícil e, por isto, agradece muito.
“Me lembra de algo que vivi e que não quero mais, não tenho propósito nenhum de voltar e, por isso, agradeço a experiência de vida que eu tive, me trouxe muitas reflexões”, finalizou.
Confira aqui um pouco mais da rotina do Anselmo:
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