Após ter mural destruído, artista organiza vaquinha para comprar novos materiais: ‘refazer’
Após ver seu trabalho sendo destruído por Eduardo Cabral e outros dois homens, na última terça-feira (30), agora a artista Thais Maia planeja voltar a Orla Morena, no bairro Cabreúva, e refazer todo o seu trabalho. Para isso, a artista criou uma vaquinha virtual e todos que quiserem colaborar, poderão doar qualquer quantia em dinheiro. […]
Jennifer Ribeiro –
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Após ver seu trabalho sendo destruído por Eduardo Cabral e outros dois homens, na última terça-feira (30), agora a artista Thais Maia planeja voltar a Orla Morena, no bairro Cabreúva, e refazer todo o seu trabalho.
Para isso, a artista criou uma vaquinha virtual e todos que quiserem colaborar, poderão doar qualquer quantia em dinheiro. A intenção é, além de revitalizar a Orla, preencher de arte outros pontos importantes – e abandonados – da cidade.
Para aqueles que não conseguem apoiar a iniciativa financeiramente, Thais pontua que também são aceitas latas de tintas que muitas vezes as pessoas guardam em casa, mas não têm previsão de usar.
“Muitas vezes a gente pega tinta de resto de construção que a galera joga no lixo. Tinta pra nós é ouro”, afirma Thais em uma publicação.
“Quem tiver tinta que sobrou de obra e não vai usar, me aciona! Toda e qualquer doação de material ou contribuição faz muita diferença pra nossa caminhada e pra nossa cultura”, pontua.
Para quem quiser colaborar com a vaquinha, a chave PIX é o CNPJ 39896775000122.
Entenda
A última terça-feira (30) era planejada e muito aguardada pela grafiteira campo-grandense, Thaís Maia. Após semanas juntando dinheiro próprio para a compra de materiais, aquele seria o dia que ela poderia estampar sua arte em quase 25 metros de toda a extensão da Orla Morena, lugar frequentado diariamente por centenas de pessoas em Campo Grande.
A ideia, como explica a artista, era fazer um mural “pra ficar de presente pra população, especialmente pras crianças que sempre estão brincando por ali”. No entanto, após 7 horas de muito trabalho, a artista foi surpreendida.
Thaís, que trabalha com arte há 13 anos, está sempre buscando revitalizar locais importantes da cidade, com investimento próprio. Na terça, ela e outros companheiros da arte estavam desde a manhã focados em concluir o espaço que abraça diversos eventos culturais da cidade, recebendo o apoio e incentivo de moradores que paravam para prestigiar o trabalho.
“Comerciantes locais estavam amando, as pessoas paravam o tempo todo pra fazer foto e elogiar, vários moradores vieram me passar o endereço de seus muros pedindo pra gente ir lá pintar também”, conta a artista. “Um monte de gente tirou fotos super elogiando, inclusive os próprios policiais adoraram as artes e elogiaram dizendo que já tinham visto vários dos meus rolês pela cidade”, pontua.
Mas, o que ninguém esperava é que, horas após o início do trabalho, três homens apareceriam violentamente, para apagar tudo o que havia sido feito.
“Chegaram dizendo que iam apagar tudo, gritando e ofendendo na frente das crianças e da comunidade que frequenta ali”, explica. “Várias pessoas, moradores e trabalhadores da calçada foram defender a gente. A galera que tava ali sentada e a galera que tava trampando foram até a gente dizendo que a nossa arte tava linda e disseram que, inclusive, tinha que ter mais arte ali pro povo”.
Segundo Thaís, os policiais que estavam no local interviram e explicaram que não havia problema dos artistas estarem lá. Mas quando a equipe de ronda saiu, os três homens, munidos com tinta branca, começaram a destruir todas as pinturas.
“Foram super machistas, o tempo todo gritando. Preconceituosos, falando horrores inclusive do Hip Hop. Eles simplesmente não aceitam os eventos da cultura de rua que acontecem ali!”, pontua. “Escreveram ‘aqui não!’ em cima de todas as nossas letras e apagaram meus personagens”, lamenta a artista.
“Lidar com opressão e violência infelizmente vira rotina pra quem vive de arte na rua, num Brasil onde a cultura é escassa e mesmo assim aparecem pessoas ruins que tentam boicotar e invisibilizar nossos eventos culturais, nossa arte e a nossa história. Principalmente nós mulheres, sempre subestimadas, desrespeitadas, tendo que ouvir horrores de homens autoritários e sem talento”, concluiu Thaís.
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