Sabe quando uma oportunidade bate à porta do nada? Isso aconteceu em 2007 com a banda campo-grandense Facas Voadoras. Os integrantes eram universitários naquele ano e haviam começado a tocar juntos há poucos meses sem nenhuma pretensão, até que receberam uma ligação inesperada da produção da MTV Brasil. O que aconteceu a partir daí virou o #tbt de uma época histórica para a formação.

A proposta ao telefone era irrecusável, o sonho de toda banda independente do gênero: o clipe da música “1:54” da Facas Voadoras faria parte da programação da emissora, inicialmente entrando na grade do programa Lab BR. Assim aconteceu. Pouco depois, o vídeo entrou em outro programa e virou até um pedaço de uma vinheta comemorativa ao Dia do Rock, onde aparecia entre clipes da Rolling Stones e The Who, entre outros grupos icônicos.

Diego Boena (baixo), Jean Ripa (bateria) e Leonardo Shimidt (vocal e guitarra) eram e ainda são os integrantes da banda. Naquele tempo, eles tinham idades na faixa dos 20 anos e moravam todos em , considerada uma cidade isolada da cena musical nos anos 2000.

E pensar que aquele clipe foi gravado para um trabalho de conclusão de curso, como conta Jean: “A gente tinha começado a tocar há quatro meses. Nosso amigo Igor Damascini, que na época cursava Rádio e TV, pediu para fazermos um pocket show e gravarmos um clipe para o TCC dele. Dali, o vídeo foi postado no extinto MySpace e no YouTube, até ir parar no blog do Rafael Meira, que falava sobre a cena musical de Mato Grosso do Sul. Tudo aconteceu despretensiosamente e nos deixou surpresos”.

Veja o vídeo que mudou a história da banda:

Revelação fez turnê e foi a um festival latino

A exposição na TV rendeu contratos para uma turnê e para participação em festivais entre 2008 e 2011. “Com menos de um ano de banda, rodamos festivais, tocamos no Festival Petrobrás no e em São Paulo, Fortaleza, e vários outros lugares. Recebemos bastante convites”, lembra o baterista.

Um dos shows mais marcantes foi no festival El Mapa de Todos, que foi transmitido ao vivo de para países da América do Sul, propondo integração musical entre eles. A banda revelação conquistou ainda espaço nas revistas Rolling Stones do Brasil e da Argentina, recebendo boas críticas sobre sua performance.

Nesse período, a banda foi explorando novos ritmos e se encaixando entre os subgêneros do rock garage, surf music, western music e rock clássico dos anos 60 e 70.

15 anos depois

A Facas Voadoras seguiu ativa até que Leonardo teve que se mudar de Campo Grande para Brasília, o que diminuiu as atividades, mas não deu fim à banda. Eventualmente, os integrantes conseguiam se reunir para fazer shows.

A pandemia os obrigou a parar por dois anos, mas, em 2022, a formação retornou com um single comemorativo aos 15 anos de histórias e recebeu o convite para participar do Festival Campão Cultural.

O trio reunido em 2010 (Foto: Divulgação/Facas Voadoras)

Fãs da época de MTV e festivais pelo Brasil até hoje seguem a banda, acompanhando os novos trabalhos. Gente nova também chega depois de ouvi-los nas novas plataformas digitais de música, onde também estão presentes. “Recebemos muitas mensagens de carinho nas hoje em dia. A base de fãs diz estar feliz que a gente tenha voltado. Para nós, é uma alegria que muita gente de outros estados nos conheça, como também é ter um público fiel aqui na nossa terra”, finaliza Jean.