No tempo em que não havia celulares para as selfies e câmeras de alta resolução, a maioria das pessoas recorria aos fotógrafos lambe-lambes para fazer um retrato. Bastava procurá-los nas praças, como era o caso da Ary Coelho, em .

O ganha-pão desses trabalhadores em extinção é uma invenção analógica curiosa: um caixote sustentado por um tripé, que tinha à frente um obturador e atrás um pano escuro, onde eles se escondiam por alguns segundos para tirar a foto. A revelação era feita em poucos minutos, ali mesmo.

Se você trabalha ou trabalhou como lambe-lambe ou, então, tirou algum retrato nas câmeras deles, sua história interessa a uma pesquisa que quer resgatar a memória. É só enviar uma mensagem para os números de (67) 99272-2906 e (67) 99982-9437 para participar.

Fotógrafo e cineasta buscam histórias

Até pouco antes do início da pandemia de covid-19 era possível encontrar lambe-lambes que resistiram ao tempo na capital sul-mato-grossense. Hoje, não mais. E para documentar a memória desses profissionais em Campo Grande, o fotógrafo Rachid Waqued e a cineasta Marinete Pinheiro estão em busca de histórias.

Uma das referências para a pesquisa é uma câmera construída nos anos 90, que era usada na Praça Ary Coelho e atualmente faz parte do acervo do da Imagem e do Som (MIS) de Mato Grosso do Sul. O equipamento carrega várias fotos com histórias que também aguardam para ser contadas.

(Foto: Divulgação/MIS MS)

A adolescência da própria pesquisadora foi marcada pelo lambe-lambe. “Fiz a foto da minha primeira carteira de trabalho com um lambe quando tinha 15 anos”, contou ela ao MidiaMAIS.

Sobre a pesquisa, Marinete e Rachid justificam que ela “busca lançar luz sobre a construção de memória a partir de acervos físicos, como a caixa de ‘fotinhas da praça' e recuperar seu caráter documental, além de trazer um caráter educativo de refletir sobre o avanço das tecnologias e o quão importante os lambes eram para a sociedade”.

Mais sobre o lambe-lambe

Os lambe-lambes se popularizaram na década de 50, ajudados pelo crescimento de uma sociedade que precisava de fotos reveladas na hora para fazer documentos. Eles já tinham um passado antes disso, quando registravam poses de famílias e capturavam paisagens para turistas que queriam cartões-postais.

Fotógrafo Maximiliano Martin Martin, em 1973, em São Paulo/SP (Marcio Mazza/Acervo fotográfico do MIS SP)

A origem do nome pode ter relação com o hábito de lamber a chapa de vidro que captura a imagem na técnica utilizada. Isso seria feito para não errar o lado em que seriam colocados na cabine do caixote – o lado mais áspero sentido pela língua era o certo.