A polícia fez uma mega e, até então, desconhecia a identidade da pessoa ou do grupo que estava incendiando carros em Campo Grande. Numa sequência de dez veículos, antes da prisão, o suspeito ateou fogo em uma caminhonete na frente da Praça das Araras, onde o dono e um sócio vendiam morangos. Dez anos depois da perda total do veículo e morte do amigo, Noel Izidoro da Silva, de 61 anos, segue a caminhada, vendendo o produto que o sustenta há 20 anos.

Na época do incêndio criminoso, Noel disse que não estava na caminhonete e recebeu uma ligação. “Eu vim pra cá e depois fui para Depac [Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário]. Depois, retornei com o meu sócio e colocamos uma Kombi. Infelizmente, ele faleceu, tem um tempo. Esta Kombi também quebrou, tá lá em casa parada. Mas, agora eu coloquei outra aqui e vendendo os morangos”, afirmou Noel ao MidiaMAIS.

kombi fica estacionada em 'ponto' na rua Dom Aquino, onde ocorreu incêndio há 10 anos. Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax
kombi fica estacionada em ‘ponto’ na rua Dom Aquino, onde ocorreu incêndio há 10 anos. Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax

Mesmo com moradores de rua nas proximidades e o “coreto abandonado”, Noel diz que o ponto dele já é uma tradição. “Eles [moradores de rua] não me incomodam. Eu também vendo morangos na Avenida Albert Sabin, mas, nunca deixei este lugar aqui. Tenho uma pessoa que me ajuda, nós passamos o dia selecionando os melhores morangos e a caixa toda fica bonita”, argumentou o vendedor.

Desta forma, ele fala que conquistou clientes em toda a cidade. “Eu vendo abacaxi e melancia também, mas, o morango é o principal produto. Os que eu separo tem gente que pede para comprar também, fazem geleia geralmente, então, nada é desperdiçado. Eu tenho pedido até de mercado atacadista, graças a Deus. O morango é uma paixão que eu tenho”, finalizou.

Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax
Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax

Incêndios na região central

No dia 16 de março de 2013, um morador de rua, de 32 anos, foi identificado como sendo o grande responsável pelos incêndios em veículos. Por volta das 12h30 daquele dia, a caminhonete Chevrolet D-10 foi incendiada, na Rua Dom Aquino.

Na ocasião, Aldo Bartolomeu de Moraes, de 59 anos, irmão do dono da caminhonete, disse que ele não foi vender frutas por conta da chuva. Naquele horário, a sogra do proprietário, que residia na região da Orla Morena, avistou de longe a caminhonete pegando fogo.

Imediatamente, ela avisou ao Aldo e ele tentou combater o fogo, contando com a ajuda de motoristas, que passaram e tentaram apagar com extintores de incêndio.

Ao mesmo tempo, a polícia deflagrou uma mega operação durante a madrugada, contando com a participação de centenas de policias militares, civis, PRF’s (Polícia Rodoviária Federal) e servidores da inteligência. O Secretário Estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, informou, na ocasião, que estavam sendo investigadas várias hipóteses para os crimes e ainda pediu “tranquilidade para a população”.

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