Sucuri que virou notícia ao ser flagrada “preenchendo” um bueiro em Mato Grosso do Sul esta semana, na realidade, também é “moradora” do condomínio de alto padrão Solar dos Lagos, em Bonito, onde foi vista dento de uma boca de lobo. Ela e os demais moradores têm convivido harmoniosamente pela área, tanto que a sucuri já ganhou até um nome do pessoal: “Vizinha”.

Vilmar Teixeira, conhecido como “pai das sucuris” em Mato Grosso do Sul, vive em Bonito e é referência quando se trata da espécie Eunectes murinus (sucuris-verdes), a mesma de Vizinha. Ao saber do avistamento no condomínio de alto padrão, o guia e monitor ambiental tratou logo de conferir de perto a sucuri que está dando o que falar.

“É a atração do condomínio, esta é a mesma que estava no bueiro”, garante ele ao Jornal Midiamax. “Depois que fiquei sabendo dessa sucuri, fui à procura dela e a avistei num gramado, próximo do mesmo bueiro em que foi encontrada na noite anterior”, conta.

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Vizinha é sucuri simpática que virou atração em condomínio – (Fotos: Vilmar Teixeira)

Vizinha, a sucuri do momento

Conforme Vilmar, a cobra é uma grande fêmea, bem conhecida pela vizinhança. “Foi batizada como ‘Vizinha’, os próprios moradores deram o nome. Muitos populares vieram visitá-la e se admiraram com o tamanho”, relata o guia, destacando que boa parte da cidade está indo até o local só para ver a grande serpente.

No entanto, Vizinha não é a única sucuri a “passear” pelo Solar dos Lagos. Volta e meia, outras serpentes da mesma espécie também aparecem pelo local, que é um loteamento em área privada de mata.

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Até crianças chegam perto e não perdem a oportunidade de ver Vizinha – (Fotos: Vilmar Teixeira)

Que condomínio é esse onde moram humanos e sucuris?

Gitane Klain, de 45 anos, é moradora do Solar dos Lagos há três anos e confirma o convívio com as sucuris no condomínio. Ao Jornal Midiamax, ela conta que quando escolheu o lugar para viver já sabia que a área também era habitada pelas sucuris. Para a gerente de hotel, isso não foi nenhum empecilho, muito pelo contrário.

Quem vive em Bonito, aliás, já está acostumado a ver uma sucuri hora ou outra. Como se sabe, a cidade turística é um dos principais viveiros dessa espécie de cobras e frequentemente alguma aparição vira notícia, por mais corriqueira que seja.

Mas, quanto ao condomínio que conta com moradores humanos e animais, incluindo essas serpentes, a moradora Gitane detalha. “Ali é uma região com vários lagos e aérea de brejo. Antes do período das chuvas, o volume de água dos lagos baixou e era mais difícil de encontrar as sucuris. Provavelmente, elas deveriam estar nas aéreas de brejo”, acredita.

“Agora, depois desse período de muita chuva, todos os lagos estão cheios e elas começaram aparecer com mais frequência”, relata Gitane. De acordo com a moradora do condomínio, os moradores têm sim suas preocupações com as cobras, mas sabem que esse é o habitat natural para elas.

“Nos preocupamos com a preservação desses animais. Como as vezes eles vão para a estrada, existe essa preocupação em relação à segurança deles. No condomínio há uma aérea de mata e, por isso, é normal os moradores encontrarem antas, tamanduás, sucuris, lobinhos”, comenta.

Veja imagens do condomínio e entenda a área, que fica bem próxima à cidade. Clique nas fotos para ampliar:

Política da boa vizinhança com as sucuris

Segundo Gitane, há até uma política de boa vizinhança com as sucuris. “Os moradores que eu conheço convivem bem com elas e sempre que aparecem existe a comunicação entre nós. Entendemos que elas estão no seu habitat natural, então temos que manter a politica da boa vizinhança com os animais”, diz a gerente.

“O condomínio fica localizado na saída da cidade e, no meio, há uma área de mata com lagos e com trilha para caminhada. Os moradores podem fazer piquenique próximo ao lago, passear com os cachorros e fazer caminhada. Agora, estamos fazendo uma campanha de preservação colocando placas informativas próximas aos lagos”, encerra Gitane.

Sucuri em lago no condomínio - (Foto: Gitane Klain)
Sucuri em lago no condomínio – (Foto: Gitane Klain)

Tem perigo?

Quando o assunto é conviver com sucuris, ele entende bem. Biólogo especialista em sucuris-verdes, Daniel De Granville conviveu com essas cobras durante 14 anos na mesma região, em Bonito. Procurado pela reportagem do Jornal Midiamax, ele afirma que, no caso do condomínio, a sucuri não oferece perigo aos moradores humanos.

“Desde que as pessoas respeitem o espaço da sucuri, como parece estar acontecendo neste caso, os riscos de algum ataque são muito baixos. Pode acontecer, por exemplo, se alguém for lá cutucar ou incomodar a serpente, ela atacaria para se defender, como qualquer ser vivo. Ou então, se alguém vai nadar no local e pisa nela acidentalmente, por exemplo. Mas um ataque predatório, para se alimentar de um humano, é bastante improvável”, garante.

De acordo com Daniel, as sucuris não têm um grau de exigência de recursos muito alto, ou seja, elas precisam de relativamente pouco para sobreviver. Mas dependem de um ambiente equilibrado, onde as espécies das quais elas se alimentam estejam presentes, como capivaras, porcos-do-mato, jacarés e outros.

“Então, a presença delas neste condomínio, praticamente urbano, pode indicar que o ambiente está sendo bem conservado no local. É importante que os proprietários e moradores tenham esta consciência e percebam o privilégio de ter animais assim quase no quintal de casa”, diz o biólogo.

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Vizinha é a cobra que estava no bueiro – (Fotos: Vilmar Teixeira)

Comida de sucuri

Entretanto, Daniel faz um alerta: “Uma coisa importante é os moradores cuidarem com seus animais domésticos, pois eles podem virar comida de sucuri. Em fazendas, não é raro sucuris aparecerem em busca de galinhas, cachorros e gatos. Mas, como eu disse, se no local tem os outros animais silvestres dos quais ela naturalmente se alimenta, a tendência é que ela tenha preferência por estas presas que já conhece”, pontua.

“Por fim, é bom lembrar que, nas atividades que eu realizo de mergulho com as sucuris para fotógrafos e cinegrafistas, existe todo um preparo e protocolos que nos permitem chegar um pouco mais perto delas sem correr riscos desnecessários”, finaliza o especialista.

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