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Reprimidos por quase 2 anos, eventos ‘explodem’ e lutam por espaço na agenda de Campo Grande

Já que muitos eventos foram adiados por causa da Covid, eles se concentram e alertam para um novo "caos" na demanda

Nathália Rabelo Publicado em 07/12/2021, às 14h50

'Festival Campão Cultural' reuniu centenas de fãs nos shows de Duda Beat, Djonga e vários outros artistas na última semana
'Festival Campão Cultural' reuniu centenas de fãs nos shows de Duda Beat, Djonga e vários outros artistas na última semana - (Foto: Reprodução/Instagram, Campão Cultural)

A pandemia de Covid-19 trouxe inúmeros prejuízos para todos os setores econômicos. No entanto, o segmento de eventos segue no topo como um dos mais afetados em Campo Grande. Para os profissionais da área — desde produtores até artistas — foram meses de muitos desafios e escassez de trabalho. Agora que as restrições acabaram, um novo obstáculo está à vista: conseguir realizar todos os eventos em um mar de demanda que estava acumulada há quase dois anos.

Apesar das lives — o que salvou muita gente nos primeiros meses de Covid em MS — ainda serem utilizadas, elas praticamente se tornaram obsoletas em comparação com os eventos presenciais e a empolgação pelo retorno da “vida normal”. Não é de hoje que Campo Grande se tornou rota de grandes shows nacionais. As pessoas também perceberam a grande demanda de eventos realizados todos os fins de semana.

Shows, casamentos e até formaturas, especialistas alertam para novo “caos”, mas agora ocasionado pela alta demanda, a competitividade por espaço na agenda, a tentativa de recuperação dos prejuízos, falta de profissionais, altos custos e até mesmo aumento do consumo alcoólico em festas.

Demanda altíssima de formaturas

Elaine Batista de Oliveira está à frente de duas empresas produtoras de eventos na Capital, uma focada no segmento corporativo e outra dedicada às formaturas. A segunda ficou um ano e seis meses sem executar nenhum tipo de festa, uma vez que na pandemia muitos setores migraram para o digital.

Para ela, os eventos presenciais nesse período eram muito difíceis de lidar, uma vez que seguiam regras rígidas de biossegurança para convidados, espaços e buffets. Agora que as formaturas estão liberadas e sem limite de convidados, novos “inimigos” começam a dar as caras: alta demanda de festas atrasadas, falta de profissionais, falta de tempo para planejamento e custos altíssimos.

“Durante a pandemia, muitos profissionais do setor tiveram que se reinventar e começaram a buscar outros setores. Com isso, está faltando mão de obra em várias empresas, dificultando muito a execução dos eventos. Aumentou o valor de tudo, de flores a bebidas, o custo de tudo está absurdo e entregar festas atrasadas sem reajuste se tornou um grande desafio”, disse ao Jornal Midiamax.

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Formaturas disparam em Campo Grande (Foto:Ticomia)

Para Elaine, o setor vive um novo caos que exige bastante criatividade, agilidade e horas extras intermináveis para os profissionais darem conta de tudo. Além disso, a quantidade de bebida alcoólica consumida nos eventos aumentou exponencialmente, causando espanto no segmento.

“Estou vivendo algo que nunca vivenciei em 23 anos de empresa, fornecedores dispensando serviços por não ter produto, equipe ou material para atender [...] datas nos locais de eventos viraram objeto de desejo. Sexta-feira virou o novo sábado para conseguir entregar tantas festas.”

Apesar do trabalho triplicado, Elaine alega que nada é comparado com a crise do ano passado e que está feliz em retomar os eventos. A primeira grande festa foi realizada em outubro e, desde então, se sente feliz e ver a pessoas celebrando a vida novamente. Apesar da retomada, muitas adaptações são implementadas para manter a saúde das pessoas.

“Nas nossas formaturas, estamos exigindo comprovante de vacinação ou teste Covid negativo feito em até 48h. Nossa equipe continua utilizando máscaras durante os eventos e o buffet oferecendo álcool gel, luvas e máscaras para os convidados se servirem no buffet”, finaliza Elaine.

Procura está aquecida, mas é temporária

O produtor Flavio Rena trabalha com shows musicais em Campo Grande e afirma que as pessoas estão saindo mais nesse período para aproveitar depois de tanto tempo reclusas em casa. Se tivesse evento de segunda a segunda, todos eles estariam cheios, na visão de Rena. Mesmo assim, esse demanda aquecida é temporária.

“O mercado agora está reaquecendo rapidamente e a procura nesse primeiro momento está grande, porque a ânsia de sair depois de um ano e seis meses é muito grande. Aumentou tanto a demanda que vários artistas estão sem agenda, tanto artistas regionais quanto nacionais. Antes o público era dividido em vários eventos, agora o público está indo em todos para tirar o atraso. Mas depois volta ao normal”, afirmou o produtor.

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Shows são amplamente procurados em Campo Grande (Foto: Divulgação)

Não é à toa que quase todo fim de semana tem show de artistas nacionais no Estado, uma vez que eventos marcados antes da pandemia foram reagendados para agora. Vendo essa oportunidade, vários outros artistas procuram trabalho em Campo Grande e interior o Estado, o que não acontecia com tanta frequência.

Uma vez que o setor ficou quase dois anos sem tirar sustento, a solução para Flavio é aproveitar esse “boom” enquanto dá tempo.

“Temos que aproveitar esse momento onde as pessoas querem sair e tirar o atraso para tentar recuperar um pouco dos prejuízos, mas isso levará um tempo, pois foi grande o prejuízo. As contas não pararam de chegar, salários, acertos e outros”.

Mesmo com o mercado bombando, shows seguem exigindo medidas de biossegurança para garantir a saúde dos artistas, da equipe e do público.

Respiro VS ameaça da variante Ômicron

O cerimonialista Antonio Osmanio também passou por inúmeros desafios para continuar trabalhando. Durante os piores meses da pandemia, ele transferiu, em média, 30 casamentos para 2021 e 2022. Até a metade do próximo ano, ele vai realizar cerimônias que foram adiadas. Além disso, a procura por festas nos últimos quatro meses foi tão grande, que lotou salões de festas e igrejas em 2022. Tanto é que ele já está com noivos para 2023.

“Durante a pandemia foi constatado realmente a importância do setor de eventos para o mercado. O impacto foi desastroso nos serviços auxiliares também, como táxis, uber, aviões e hotéis que serviriam os convidados desses eventos”, disse ao Jornal Midiamax. A retomada, apesar de estar com alta demanda, proporcionou um grande respiro ao setor, que está aproveitando ao máximo, especialmente agora com a ameaça da nova variante.

“Com o advento da variante Ômicron há um grande medo no trade turístico e de eventos de uma terceira parada total, pois mesmo que não pare a nossa cidade, alguns estados e países já estão fechando suas fronteiras para pessoas de nossa região”, contou.

Segundo o especialista, o passaporte vacinal, então, é uma necessidade para a vacinação. “Somente a vacina em massa, no mundo inteiro, fará com que o vírus pare de se propagar, o que faz com que novas variantes surjam”, disse.

Casamentos
Agenda de casamentos está lotada em Mato Grosso do Sul (Foto: Pedrê - @pedredp)

Busca por profissionais dispara no Brasil

O mesmo fenômeno que acontece em Campo Grande é observado no Brasil inteiro desde o fim das restrições. Para se ter uma ideia, até mesmo o GetNinjas, um dos principais aplicativos de contratação de serviços do país, registrou crescimento de buscas por profissionais da área.

De acordo com a plataforma, esse aumento começou entre julho e setembro deste ano, trimestre encerrado com 97% mais buscas nos três meses anteriores e 112% acima do mesmo período de 2020. Os serviços mais procurados são: buffet completo, fotografia, animadores, bandas e cantores e churrasqueiro. 

Buffet completo para aniversários foram 131% mais procurados no terceiro trimestre de 2021 em comparação com o segundo. O serviço para formaturas subiu 116% e para casamentos 90%.

Os dados do app também mostram que, de um trimestre a outro, 170% mais pessoas buscaram pagodeiros para animar as reuniões de amigos e convidados. Sertanejos tiveram 135% de crescimento e grupos de forró 10%.

Jornal Midiamax