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Profissionais de MS analisam ex-relacionamento de Carla e Arthur

O Midiamax trouxe especialistas para dar opiniões e explicar sobre dependência emocional na relação de Carla e Arthur.

Nathália Rabelo Publicado em 25/03/2021, às 16h08 - Atualizado às 16h12

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Carla e Arthur BBB 221 (Reprodução/Globoplay)

A atriz Carla Diaz foi eliminada do BBB 21 na última terça-feira (23). Ontem (24) ela estava no programa Mais Você com Ana Maria Braga e viu cenas chocantes protagonizadas por Arthur, com quem viveu um relacionamento dentro da casa. Um fator foi decisivo para que ela não enxergasse o quão conturbado era a relação de ambos: a falta de entendimento do universo externo. Por isso, o MidiaMais trouxe duas convidadas para explicarem o que realmente aconteceu entre Carla e Arthur no BBB 21.

Foi burra, cega, trouxa? Nada disso. A Promotora de Justiça Helen Neves Dutra da Silva, do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Famílias contra a Mulher (NEVID) de Campo Grande, afirmou que o fato da atriz não saber da dimensão toda, uma vez que estava confinada, prejudicou a sua visão sobre o namoro. Assim, ela não percebeu que estava em um relacionamento em que oferecia mais amor e companheirismo do que recebia.

“As mulheres, em geral, quando estão num relacionamento tóxico ou abusivo, demoram para assim se perceber, devem ser orientadas a identificar alguns sinais e fortalecidas para sair desse ciclo”, disse a promotora de Justiça. Dentro da casa, Carla viveu vários momentos desconfortáveis com Arthur, como a falta de reciprocidade de atenção, falas contraditórias por suas costas e até mesmo um beijo forçado durante uma das festas do programa. Mas afinal, o que pode ser configurado como um relacionamento abusivo?

Arthur tentou beijar Carla Diaz a força (Reprodução/Globoplay)
Arthur tentou beijar Carla Diaz a força (Reprodução/Globoplay)

Helen reforça que esse tipo de relacionamento é aquele que uma pessoa exerce abusos de poder sobre a outra, com humilhações, controle, isolamento social e ciúmes excessivos. Mas esses abusos também podem estar inseridos em uma dinâmica mais sutil, como é o caso do “gaslighting”, ou seja, abuso psicológico.

“É a manipulação psicológica para se ter controle sobre a pessoa, ao ponto de anulá-la, gerando insegurança, dúvidas e medos, fazendo com que a pessoa e todos a sua volta, pensem que ela seja louca, desequilibrada”, afirmou

Dependência emocional

Sobre isso, nós também conversamos com uma psicóloga clínica para explicar como funciona a relação de dependência emocional. Em vários momentos no programa, Carla Diaz se mostrou vulnerável às atitudes de Arthur, sentimento possivelmente causado pela falta de segurança que ela tinha na relação. A insegurança, na verdade, a prendia a ele.

“O relacionamento de codependência surge por uma necessidade de um, ou dos dois, e se caracteriza pela dependência. Normalmente um se torna dependente do outro. Dependente em todos os sentidos, do afeto, da tomada de decisão na vida”, disse a psicóloga Leila Baena Gonçalves.

Dentro dessa dinâmica de relação, a pessoa vai se anulando e fazendo o desejo do outro devido a uma baixa estima, falta de autonomia, por não conseguir se enxergar sem aquela pessoa. “Quem é dependente vai descobrindo o desejo do outro e vai realizando para ter segurança na relação, para prender o outro a si mesma”, comenta.

Outro fator importante apontado pela psicóloga, que também pode se enquadrar no caso de Carla e Arthur, é a relação de aproveitamento do outro ao perceber que está se relacionando a alguém mais vulnerável que ele. “A pessoa entra nessa relação de dependência por não se sentir amada, e o outro gosta de controlar, gosta de mandar, gosta de ter o poder. Então é uma relação de neurose complementar”, afirma a psicóloga. Tudo isso em nome do falso protecionismo – sentimento de estar sendo protegido pelo outro –.

Carla se ajoelha ao voltar de paredão fake (Reprodução/Globoplay)
Carla se ajoelha ao voltar de paredão fake (Reprodução/Globoplay)

De pouco a pouco, quando essa dinâmica está construída, pode se caracterizar um relacionamento abusivo. Mas nem sempre ele é forçado, contendo espancamentos e brigas. Ele pode acontecer subliminarmente sem os envolvidos se darem conta de onde estão entrando.

Outra questão que também pode ter prejudicado a visão de Carla foi a falta de um respaldo familiar, que poderia tê-la ajudado a enxergar que sua relação não estava indo bem. Mas em termos de confinamento, ela só conseguia ver o que estava diante dela. No paredão fake, também não houve oportunidade para que a atriz conseguisse ver as atitudes de Arthur.

Na Internet

A verdade é que a eliminação de Carla Diaz dividiu muitas opiniões. Uns gostaram, enquanto outros acharam a decisão injusta, mas ficaram felizes pelo fato dela sair de vez de uma relação que não a fazia bem. Se ela continuasse no programa, talvez as consequências poderiam ser piores, por exemplo.

Além disso, internautas falaram muito sobre a falta de empatia com o que houve com a ex-sister, assunto também abordado pela ex-BBB Priscila Pires, de Campo Grande, ao comentar sobre a eliminação da loira. “O que não pode acontecer, como aconteceu com a Carla, é ser julgada e eliminada sem ao menos saber o motivo. Possivelmente, se fosse um homem não seria “punido” com a eliminação do programa”, opinou a promotora.

Assim, reforça-se a importância de fazer terapia para quebrar esses ciclos de relacionamento e trabalhar a estima da pessoa. Em Campo Grande/MS, a mulher, vítima de relacionamento abusivo pode procurar o Ministério Público Estadual, na Casa da Mulher Brasileira ou ligar no 180.

Jornal Midiamax