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Exemplo para gerações, família abre portão de casa e faz lanche para garis há 10 anos

Confeiteira diz que prepara comida ao lado dos pais, irmã e filhas e ainda presenteia trabalhadores com cestas básicas

Graziela Rezende Publicado em 31/12/2021, às 18h33

Garis lanche solidário em casa de Campo Grande, no dia 28 de dezembro
Garis lanche solidário em casa de Campo Grande, no dia 28 de dezembro - Redes Sociais/Reprodução

É só escutar o barulho do caminhão com os garis passando que o portão se escancara. Só que, desta vez, não é nenhum membro da família Sales colocando o lixo para fora, mas sim convidando os trabalhadores para um lanche solidário, em uma casa na rua Carlos Gomes, bairro Monte Castelo, região norte de Campo Grande. A “boquinha” acaba de completar uma década e já está na terceira geração, mostrando o respeito e carinho a estes profissionais. 

“Nós sempre fazemos um café da manhã ou lanche solidário para eles. Sempre ocorre uma vez ao ano e nós avisamos aos garis um dia antes. Acho que eles merecem. Trabalham e nos ajudam muito no decorrer do ano. E aprendi com os meus pais. Fazemos isso há 10 anos e ainda, sempre que pode, faço um bolo e dou a eles, além de pão com ovo. É a nossa forma de agradecer”, afirmou ao Midiamax a confeiteira Elizabette Sales, de 38 anos. 

Segundo a confeiteira, a família é bem religiosa e sempre participou de ações voluntárias. “Nós fazíamos algo entre amigos, até que meu pai teve a ideia de fazer um lanche para os garis. Ao longo do tempo, nós incluímos as cestas básicas para eles. Nossa, vejo que eles ficam faceiros, falam que nunca tiveram algo parecido. O retorno deles é muito grande”, comentou. 

Garis nos anos de 2016, 2019 e Elizabete com a filha na barriga e ela, aos 5 anos, já ajudando a família a preparar o lanche solidário

Durante o ano, Elizabette fala que sempre presencia os coletores caminhando sob forte calor e também em dias chuvosos, suportando o odor do lixo e fazendo um trabalho de suma importância para a sociedade. 

“Ao menos uma vez no ano, eles então param um pouquinho, são recepcionados pela gente, fazem o lanche deles, recebem as cestas e aí continuam o trabalho. É algo que aprendi com meus pais, minha irmã também acompanhou tudo e agora as minhas filhas, uma delas inclusive estava na barriga quando tudo começou. É a terceira geração já”, disse. 

Por fim, a confeiteira ressalta que, justamente neste período, um sentimento de gratidão invade a família e é muito prazeroso ter este momento ao lado dos coletores de lixo. “Nós dividimos entre nós mesmo. É algo que custa tão pouco e, para eles, significa muito. São pessoas que merecem muito, com toda a certeza”, finalizou.

Lanche solidário ocorreu nesta semana, em Campo Grande. Foto: Redes Sociais/Reprodução

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