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‘Encontro de almas’: Casal campo-grandense teve vida transformada após adoção de dois filhos

Com queda nas adoções em MS, história é exemplo de que adotar é ato de amor que vale a pena

Mylena Rocha Publicado em 08/05/2021, às 08h35

Francisco e Rafael não querem romantizar a adoção, a paternidade acontece no dia a dia.
Francisco e Rafael não querem romantizar a adoção, a paternidade acontece no dia a dia. - Reprodução

Juntos há mais de uma década, Francisco e Rafael resolveram realizar o sonho de uma família com filhos por meio da adoção em Campo Grande. Com a pandemia, o número de crianças adotadas tem caído em Mato Grosso do Sul, mas a história do casal é uma inspiração da transformação causada pela chegada das crianças. Com os dois filhos, a família ficou (ainda mais) completa e mostra que a adoção vale a pena. 

Um encontro de almas. É assim que descreve o secretário universitário Rafael Ortigoza, de 29 anos, ao falar sobre a história com os filhos. “É indescritível, é como se sempre estivessem em nossas vidas”, diz. O casal entrou na fila da adoção em 2013 e hoje eles são pais de dois meninos, Luiz Miguel, de 7, e João Marcos, de 2 anos. 

O empresário e intérprete de Libras Francisco Matrone, de 42 anos, explica que o casal entrou na fila de adoção depois de quatro anos morando juntos. À princípio, o sonho da paternidade era dele, mas Rafael foi se animando com a ideia cada vez mais, até que iniciaram o processo de adoção. “O sonho era meu, mas depois o pedido de voltar para a fila de adoção acabou partindo dele”, relata. 

A adoção do primeiro filho aconteceu cerca de dois anos depois de manifestarem o interesse. Rafael conta que quem quer adotar precisa fazer um curso preparatório, para amadurecer a ideia. Depois, é possível definir o perfil e as características das crianças.

“O nosso perfil era de uma criança de dois a cinco anos, independente de sexo e cor. Nosso processo demorou dois anos, mas depois que fomos para a fila da adoção, demorou uma semana para chamarem e apresentarem o Luiz Miguel”, afirma. 

Rafael conta que o menino tinha pouco menos de dois anos. Agora, Luiz Miguel já tem sete. “Quando o pessoal do Fórum te apresenta a criança, conta a história, você se identifica. No encontro presencial, é uma sensação indescritível, um encontro de almas”, afirma Rafael. 

A emoção ao conhecer o filho foi grande, mas Francisco não gosta de romantizar a adoção. A paternidade é difícil e ela vem aos poucos, principalmente nos momentos mais desafiadores. “Olhando de fora você vê e acha bonito, fácil, mas é no dia a dia que vem a paixão, que se concretiza a ideia de ser pai, você separa o sonho da realidade”, frisa.

Francisco ressalta que não se tornou pai automaticamente, assim que levou o filho para casa. Tudo é um processo. “É na convivência, na troca de experiência que você descobre o que é a paternidade. Foi assim que a gente descobriu, não foi somente vendo a foto [da criança]. Eu só entendi o que era ser pai em um dia que, quando paramos para perceber, já estávamos há 24 horas sem comer”, brinca. 

Após a adoção do primeiro filho e de terem, de fato, a experiência de serem pais, Rafael e Francisco decidiram voltar para a fila de adoção. Eles não mudaram o perfil da criança, mas foram surpreendidos. “Quando pediram para ir ao Fórum, era o João Marcos, ele tinha três meses de idade, era quase um recém nascido. A gente não almejava um recém-nascido, achávamos que seria uma idade próxima ao Luiz Miguel”, conta Rafael. 

Para quem pensa em adotar, o casal recomenda pensar muito e refletir. Está preparado para acordar na madrugada, trocar fraldas? Ou quer uma criança mais velha, para brincar? Estas são algumas das perguntas a se fazer. Porém, acima de tudo, é preciso ter muita responsabilidade. 

“É uma vida que está ali, não pode brincar, não pode ser omisso. Não podemos ser inconsequentes, eles já sofreram, não estão ali porque querem. Ter mais uma decepção na vida, é doloroso, faz com que eles se fechem cada vez mais e diminui o sonho de pertencer a uma família”, diz Rafael. 

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