Em um Estado considerado o “celeiro” dos artistas sertanejos que bombam no Brasil inteiro, um novo cantor começa a dar as caras a fim de mostrar que está chegando com tudo para ensinar o sul-mato-grossense a ouvir novos estilos musicais produzidos na região. Conhecido principalmente na comunidade LGBTQIA+, o nome de Julio Ruschel está sendo muito comentado na Internet após o lançamento do seu 1º single profissional, intitulado “Sigilo”. Na onda Pop e com um clipe que te leva para outra dimensão, a canção, em poucos dias, ultrapassou o clássico sertanejo e conquistou o topo das músicas virais de Campo Grande no Spotify.
O Midiamax ouviu a música e também assistiu ao clipe. E, por aqui, já podemos dizer que somos fãs. Isso porque a música, em parceria com a artista Miss Violência, traz uma criatividade muito diferente do que normalmente é encontrada aqui. A equipe de produção fugiu do clássico cenário regional e levou a qualidade audiovisual para outro nível através de uma música contagiante, cenário lúdico, coreografias dançantes, figurino inovador e uma concepção estética impecável.
Nós conversamos com o Julio Ruschel para entender sua trajetória até o lançamento de Sigilo. O cantor, compositor e bailarino tem 28 anos e se formou em Artes Cênicas e Dança pela UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul).
Com o pai músico e uma família cheia de talentos, Ruschel está envolvido com o universo artístico desde muito cedo. Não é à toa que trabalha como dançarino há 10 anos. Porém, a paixão pela música nasceu dois anos atrás, momento em que se viu construindo sua carreira nessa área.
Foi então que começou a tocar em bares e locais públicos da cidade. Porém, o seu lançamento como cantor se deu com o single Sigilo, publicado no dia 23 de julho, última sexta-feira, e que já está ocupando a playlist de muitos ouvintes por aí. Para quem está prestes a lançar o 1º EP da profissão, esse foi um passo superimportante para o artista.
“Foi tudo como eu imaginei que seria, foi incrível. É um lugar [a música] onde me encontro como artista para criar. É um trabalho que você sente que é para você, que sai genuíno porque você se sente confortável dentro dele. E eu nunca tinha trabalhado com música”, explica o cantor.
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Sigilo
Sigilo é uma música que segue a vertente do Pop, isso porque o cantor cresceu ouvindo esse estilo e, hoje, é o que ele mais se identifica. Já o clipe foi gravado em uma antiga boate de Campo Grande, atualmente desativada, que tinha tudo a ver com a estética prevista para a produção.
“O conceito criativo do clipe é baseado num tema futurista cyber-punk, como se fossem cenas de uma balada pós-apocalíptica. Então, nós aproveitamos a questão da pandemia e ter que estar de máscara para os bailarinos também utilizarem. Mas tudo isso dentro desse conceito e trabalhado de uma forma muito criativa. Então, essa pegada cyber-punk e futurista está relacionada à tecnologia, nós nos baseamos em clipes também”, disse.
De Pabllo Vittar a Katy Perry, Sigilo encontrou o seu próprio caminho e ainda contou com o styling do Wederck Himoto, jovem designer que já trouxemos aqui no jornal.
Questionado sobre a aceitação do público, Julio comenta que está sendo surpreendente. “É muito difícil trabalhar com o Pop em um Estado onde é notório o sertanejo, então trabalhar com um gênero musical em que a gente não tem tantos cantores fazendo é meio desafiador, dá até medo”.
Mesmo assim, o single atingiu o topo das músicas mais virais de Campo Grande no Spotify, ultrapassando grandes nomes do sertanejo. Além disso, está sendo muito compartilhada na comunidade LGBTQIA+ da cidade. Você pode ouvir a música nas principais plataformas digitais de música.
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Confira agora o clipe de Sigilo: