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Com ‘telas’ da natureza, artista de MS faz bordado em folhas secas e fecha agenda de 2021

Alan Vilar é reconhecido no Estado por fazer artes em suportes não convencionais, especialmente com bordado em folhas secas

Nathália Rabelo Publicado em 16/10/2021, às 08h00

De Campo Grande, Alan Vilar surpreende com bordado em folhas secas
De Campo Grande, Alan Vilar surpreende com bordado em folhas secas - Foto: Arquivo Pessoal

O dicionário define a palavra “arte” como uma “manifestação humana universal (existente em todas as culturas) que produz coisas reconhecidas como belas pela sociedade”. Essa mesma obra de arte transmite ideias, sentimentos, crenças ou emoções. Disso, Alan Vilar entende bem. Crescido em um sítio, ele tem uma conexão muito intensa com a natureza. Artista nato desde criança, hoje ele é reconhecido em Mato Grosso do Sul por se aventurar nas mais diversas expressões artísticas com ‘telas’ que ele encontra no próprio meio-ambiente. De bordado em folhas secas a pinturas em penas, os detalhes são tão surpreendentes que ele está com a agenda de encomendas fechada em 2021.

A arte de Alan Vilar é marcada por cores vibrantes, misturas de materiais e técnicas, escultura em folhas, pinturas em penas, bordados em folhas secas, em favos de mel e por aí vai. A admiração por obras tão singulares e criativas foi o que impulsionou a quantidade de fãs espalhados pelo Estado. Logo no quinto mês do ano, o artista já estava com a agenda de trabalho lotada.

“Esses trabalhos dos bordados encantaram as pessoas desde o início. Teve uma aceitação bem legal desde a primeira publicação que fiz, acredito que por ser uma técnica pouco conhecida [...] foi bem rápido e, conforme fui evoluindo e trazendo novidades, percebi que ia conquistando cada vez mais pessoas. Mas foi agora em maio, quando fechei a agenda de encomendas do ano todo, que caiu a ficha que meu trabalho estava realmente conquistando muita gente”, revelou Alan ao jornal Midiamax. 

beija-flor em folha seca
Beija-flor bordado em folha esqueletizada (Foto: Arquivo Pessoal)

Tudo isso começou quando Alan Vilar ainda era criança. Da brincadeira à profissão, o dom pela arte foi descoberto quando ele estava na escola.

A natureza era o papel

Alan viveu em um sítio boa parte da sua infância. Mesmo morando na cidade de Campo Grande atualmente, ele sempre volta ao local para experimentar novas técnicas e encontrar inspirações. Foi naquele pequeno espaço que o artista deixou a sua imaginação voar quando criança.

“Me recordo que naturalmente demonstrava uma certa paixão pelo desenho, e como não tinha materiais, eu fazia do chão meu papel, dos galhos meus lápis e desenhava tendo como referência os animais que via ao meu redor. Posteriormente ao entrar na escola, com cinco anos, minha avó conta que acabei com meu caderno em poucos dias, desenhando nele todo”, recorda o artista.

Alan Vilar faz com bordados em folhas
Alan Vilar faz obras de arte em bases não convencionais (Foto: Arquivo Pessoal)

Então, ele foi selecionado para integrar o NAAH/S (Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação)  após ser avaliado e considerado com altas habilidades na área da arte. O núcleo faz um trabalho especial com estudantes da rede estadual que apresentam características de superdotação.

No espaço, Alan desenvolveu suas habilidades de forma mais intensa, estudando história da arte, participando de exposições e conhecendo artistas locais. “Assim, fui entendendo que poderia viver de arte, algo que até então era distante da minha realidade”.

Hoje, ele também faz faculdade de Design Gráfico para complementar a profissão.

Técnicas e experiências 

Aos 27 anos, o jovem já experimentou várias técnicas para integrar o seu trabalho. A primeira que usou foi a escultura em folhas, recortes feitos na folha que, quando colocada contra a luz, forma uma imagem. Depois, testou a pintura em uma pena branca que encontrou no quintal do sítio. Então, se aventurou nos bordados: primeiro em tecido e posteriormente nas folhas esqueletizadas.

“Esses experimentos iniciais me despertaram uma vontade muito grande de testar suportes diferentes tanto para pintura como para os bordados. Então, vieram as pinturas em casca de urucum, pinturas em insetos, em folhas e penas vitrais, os bordados em folhas esqueletizadas, em pétalas, penas, asas de mariposa, favo, e os experimentos continuam”, comemora o artista.

Bordado de arara em folha esqueletizada
Arara bordada em folha seca (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele afirma que o sucesso das suas obras está na curiosidade por descobrir coisas novas. Ao longo dos anos, já trabalhou com vários materiais, como lápis de cor, lápis grafite, tinta acrílica, tinta óleo, giz pastel seco e oleoso, marcadores, aquarela, canetas esferográficas, esmalte de unhas e até tintas que produziu sozinho com pigmentos extraídos da natureza.

Já os trabalhos de bordados em folhas secas e suportes não convencionais começaram no final de 2019. Durante férias no sítio, ele pegava os materiais que encontrava no próprio quintal.

“Assim surgem muitas ideias, e me fascina também o quão desafiador são esses trabalhos, que requer muita concentração, paciência, e principalmente uma coordenação motora fina bem desenvolvida”.

Obras de arte

Dentre o leque de obras que já produziu, Alan afirma que não tem nenhuma favorita, já que todas elas demandaram diferentes processos. No entanto, ele destaca a arara bordada em folha esqueletizada com um bordado em camadas para possibilitar o movimento da asa.

“Foi um trabalho bem desafiador onde fiquei duas semanas nesse processo, sendo uma semana só pensando em como fazer. Foi engraçado que mesmo depois de pronta, só consegui acreditar quando filmei e vi o vídeo da asa se movimentando”, comentou Alan.

Araras bordadas em camadas
Arara foi bordada em camadas para ter movimento de asa (Foto: Arquivo Pessoal)

Para a lista, também entra o bordado de uma onça-pintada que foi queimada para simbolizar as tristezas ocasionadas pelas queimadas do Pantanal, no ano passado. O seu principal foco é representar e exaltar a beleza da fauna e flora de Mato Grosso do Sul através da diversidade de espécies e cores.

Questionado sobre os planos futuros, Alan explica que deseja experimentar outras técnicas para descobrir novas paixões dentro da arte.

“Espero poder trilhar uma carreira onde eu possa futuramente me tornar referência como artista através de uma trajetória desafiadora, com muito trabalho, cores, estudos, e quando eu olhar para trás sinta muito orgulho de tudo que fui desenvolvendo”, finaliza. 

Confira mais trabalhos de Alan Vilar abaixo:

tucanos bordados
Tucanos bordados em folha encantam fãs (Foto: Arquivo Pessoal)

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