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Chef campo-grandense explica como é feito Bolo de Rolo e mais curiosidades do prato

Desde 2007, o bolo de rolo foi reconhecido como patrimônio imaterial de Pernambuco

Carlos Yukio Publicado em 30/06/2021, às 15h46

(Reprodução, Arquivo Pessoal)
(Reprodução, Arquivo Pessoal)

Umas das modas gastronômicas que caiu no gosto dos campo-grandenses pela delicadeza e sabor delicioso, o Bolo de Rolo tem origem bem distante daqui, do outro lado do Brasil. Mercados, vendinhas, feiras e até chefs de cozinha viram no prato uma possibilidade de renda e decidiram trazer ao MS essa iguaria que é um patrimônio imaterial de Pernambuco. 

A sobremesa, que também ganhou notoriedade por ser a favorita de Gil e Juliette no BBB 21, é típica de estados do Nordeste. O chef de cozinha Elias Lahdo experimentou pela primeira vez o Bolo de Rolo em uma viagem em família para Cuiabá, em que o cunhado acabara de chegar de Recife e os ofereceu a sobremesa. Ele e a esposa Cris Lahdo se apaixonaram pelo bolo na hora

“Eu sou Chef de Cozinha, ela é professora e confeiteira e desde esse dia começamos a pesquisar receitas, cursos e acabamos conhecendo a história do bolo de rolo. Muita gente pensa que o bolo de rolo originou-se em Pernambuco, mas as origens são de Portugal. Segundo o historiador José Urbano, no país colonizador, o doce era feito com recheio de pasta de amêndoas, sendo substituído pelo de goiabada devido à abundância da fruta no Brasil”, explica o chef de cozinha ao Jornal Midiamax.

O bolo de rolo, iguaria oriunda dos portugueses, foi introduzida no Brasil unicamente pelo Estado de Pernambuco. O verdadeiro Bolo de Rolo, muitas vezes comparados a outros "Bolos Enrolados" como Rocambole, Bolo de goiaba, entre outros, tem uma receita e forma única de preparo.

“A diferença entre o bolo de rolo e o rocambole é imensa. Enquanto o rocambole é feito com uma massa de pão de ló enrolado uma única vez, a massa do Bolo de Rolo é feita com farinha de trigo, ovo, manteiga e açúcar, e não leva fermento. Além disso, as fatias são bem finas, e para termos um único bolo precisamos de cinco a seis massas enroladas.  O resultado é lindo!”, ressalta Elias Lahdo. 

Durante muitos anos, esse bolo era restrito aos senhores de engenho, e posteriormente aos governadores de Pernambuco, se tornando popular posteriormente. Era servido como sobremesa ou lanche. Um visitante ilustre não poderia sair de uma casa, sem degustar uma fatia de bolo-de-rolo. Dessa maneira, passou a ser utilizado para estreitar os laços de amizades, para agradecimento, como presente e até para "amolecer corações". 

O papa João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980, provou uma fatia. Pela Lei Ordinária Nº 379/2007 o Bolo de Rolo foi reconhecido como Patrimônio Imaterial de Pernambuco, sendo inclusive distribuído 2000 bolos em Londres durante os Jogos Olímpicos de 2012 pela Empetur como uma forma de apresentar a cultura pernambucana.

“Após testar muitas receitas, criamos a nossa receita de Bolo de Rolo, qual muitos Pernambucanos e/ou apaixonados por bolo de rolo que moram em Campo Grande aprovaram, tornando-se clientes e indicando o nosso produto. Percebemos que muitos ainda não conhecem o bolo e assim contamos toda história e quando experimentam percebem a diferença na hora”, conta o chef de cozinha. Ainda segundo Elias Lahdo, o mais trabalhoso é enrolar o bolo, já que as camadas precisam ser bem finas e precisa de muito cuidado para não quebrar o bolo.

Na confeitaria artesanal da família, sempre que fazem uma entrega, os Lahdo dão uma fatia de bolo de rolo para degustação e dizem ser difícil quem não gosta desse bolo maravilhoso no tradicional de goiabada, e também de doce de leite e brigadeiro. Mais informações pelo número (67) 9214-8228. Você já provou essa sobremesa histórica?

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