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Arte do futuro, criptoarte começa a dar as caras em MS após força no cenário mundial

Entenda o que é a criptoarte, como ela funciona e por que está ganhando tanta força em vários lugares. Em MS, público pode começar a surgir aos poucos

Nathália Rabelo Publicado em 22/07/2021, às 07h00

Criptoarte é um termo muito novo ainda, mas que promete grandes mudanças no mercado artístico
Criptoarte é um termo muito novo ainda, mas que promete grandes mudanças no mercado artístico - Foto: Reprodução

Você com certeza já ouviu falar em criptomoeda nos últimos anos com a popularização do bitcoin e tantas outras moedas digitais descentralizadas que caíram na boca – e no sonho – de muita gente. O que talvez ninguém imaginava era que essa mesma tecnologia se expandiria para outras áreas do mercado em um mundo totalmente cibernético. Foi então que, de pouco a pouco, a criptoarte foi conquistando o seu próprio espaço e hoje desponta no cenário mundial com a chamada “arte do futuro”. Mas será que o futuro está tão distante assim? Mesmo tímido, o mercado já está chamando atenção em MS e pode chegar a conquistar bons frutos na região.

Mas afinal, o que é criptoarte? Como ela funciona? Da onde surgiu? Se você teve, pelo menos, alguma dessas dúvidas, então você está no lugar certo. De forma resumida, a criptoarte é uma arte digital autenticada e que vem promovendo uma grande mudança no mercado artístico, especialmente a partir do 2º semestre de 2020, quando o conceito se tornou mais popular. Agora, vários artistas estão adotando essa revolução digital para produzir e vender arte na Internet.

Assim, a criptoarte é uma arte digital com um código único anexado à obra, permitindo que ela seja exclusiva, como uma arte física — algo semelhante às pinturas originais de Picasso, que têm a assinatura dele para comprovar sua autenticidade.

Na arte digital, essa verificação ocorre através de um NFT (Non-fungible token), melhor dizendo, um token não fungível. É ele que garante a originalidade de um produto digital, um “selo criptográfico” vinculado a uma peça e que não pode ser replicado. A base do NFT está na plataforma blockchain, pois nela pode-se rastrear a troca de informações na Internet, criando uma rede de blocos entre os envolvidos em diversos servidores diferentes.

O artista pode anexar um NFT a qualquer coisa: imagem, vídeo ou música, e as informações do token são armazenadas no blockchain, um “livro razão” permanente que pode ser acessado em qualquer computador do mundo.

Para te explicar melhor o assunto, trouxemos o Fabiano Nagamatsu para falar mais a respeito. Atualmente, o empreendedor atua como diretor da Aceleradora Inova UNIGRAN, líder Alumni do Inovativa Brasil, avaliador do Shark Tank Brasil e é considerado uma das personalidades mais influentes em mentoria e investimento Startup. Nagamatsu contou ao Midiamax que a criptoarte é um mercado bem atrativo para colecionadores e investidores que buscam ativos digitais exclusivos, ou seja, que ninguém mais no mundo vai ter.

“Na prática, qualquer pessoa pode entrar em uma plataforma de NFT para criar ou adquirir um. Por exemplo, posso criar um NFT para uma composição musical, dando a ela uma certificação de autenticidade. Outro exemplo, é que posso vender ou leiloar uma obra artística e quem adquirir será o único dono e, se quiser, poderá até ganhar royalties [quantia paga por alguém a um proprietário pelo direito de uso, exploração e comercialização de um bem] sobre a exposição posterior da obra digital. Um outro exemplo é adquirir um NFT de algo apostando na sua valorização no mercado, devido à escassez”, exemplifica Fabiano.

O surgimento da criptoarte ainda é um assunto que gera várias controvérsias, mas a hipótese mais famosa é que o termo passou a ser pensado com a apresentação da Colouread Coins, em 2012. Coloured Coins é uma criptomoeda, que não vingou no mercado, equivalente ao bitcoin. Mas foi a partir dela que se deu a base para outras plataformas que têm a capacidade de armazenar chaves criptográficas, como a ETH - Ethereum Blockchain.

Mercado de criptoarte

A maior vantagem que tornou a criptoarte tão famosa, com certeza, é a democratização. Com ela, mais artistas podem se lançar no mercado de forma autenticada, sem correr o risco de ter suas obras reproduzidas, compartilhadas e copiadas, por exemplo. O mesmo vale para quem deseja comprar essas obras.

“Vejo a criptoarte como uma tecnologia que cria um disrupção em relação ao mercado de artes em geral. Uma grande oportunidade para artistas se lançarem ou monetizarem em seus produtos/serviços de maneira mais rápida e segura. O NFT age como um certificador de originalidade e unicidade, o que contribui para o mercado combatendo a pirataria”, comenta Fabiano.

Imagine um artista vendendo sua obra por meio de NFT e ainda podendo dividir com quem comprou os royalties quando a obra for usada pelas pessoas? Esse é a reflexão proposta pelo empreendedor, afirmando que a nova arte não fica restrita somente ao mercado de colecionadores. Todos podem lançar os seus respectivos itens e conseguir monetização por meio do NFT.

“O mercado de NFT já está mudando os segmentos de games, músicas, filmes, obras artísticas, propriedade intelectual entre outros. Assim como a criptomoeda contribuiu substancialmente para o mercado financeiro, o NFT contribui ricamente para o mercado de artes em geral”.

Nagamatsu ainda fala que a criptoarte pode crescer em Mato Grosso do Sul visto que é um fenômeno que acontece na Internet e não tem barreiras geográficas. Portanto, é bem provável que o público desse mercado comece a dar as caras logo, uma vez que empresas startups já estão potencializando obras de artistas famosos do Brasil, como Bel Borba, Romero Britto e também trabalhos com a dupla de música eletrônica JetLag Music, além de outros artistas nacionais famosos. Todas essas iniciativas são direcionadas pelo empresário.

Criptoarte de autorretrato do Robô Sophia vendido por quase R$ 4 milhões (Foto: Reprodução)

O que os artistas regionais acham

O Midiamax também foi atrás da opinião de aristas sul-mato-grossenses renomados. É o caso do Ghva, famoso por representar a cultura indígena, o seu material de trabalho são as tintas, telas, lonas e pincéis. Na sua opinião, a criptoarte é um reflexo da época em que vivemos e, mesmo com as evoluções, vai ser difícil que ela substitua a as expressões artísticas físicas. Apesar de não usar essa tecnologia no seu trabalho, admira muito como a arte está alcançando novos rumos.

“Eu acredito que a criptoarte tem os seus valores como toda expressão e representação artística... mais creio que a experiência do espectador com uma pintura que carrega as indagações e identidade que um pintor constrói com seu trabalho... eu acho única, mas acho interessantes todas as formas de arte”, diz.

Humberto Espindola, de 78 anos, é especialista em pintar sobre a cultura da agropecuária. Ele disse ao Jornal Midiamax que já tentou se aventurar pelas gravuras digitais há muitos anos, quando ainda nem existia direito a tecnologia NFT, leilões online ou mercados digitais. Apesar de não ser considerado criptoarte – já que precisa estar atrelada ao código de autenticação – Espindola viveu o movimento preliminar do que hoje conhecemos como a arte do futuro.

“Eu fazia no computador, mas imprimia, assinava e enumerava. Mas eu não continuei na arte digital por causa de geração mesmo. Porque quando apareceu para mim, eu já estava na minha idade madura. Quando começou a falar em arte digital, eu já tinha mais de 50 anos e 25 anos de carreira”, conta o artista.

Apesar disso, Humberto sempre tem uma ajudinha do digital para planejar seus trabalhos antes de colocar eles na tela.  “Eu acho que é um caminho novo da arte, um caminho do futuro. As artes plásticas não ficam só na pintura, ela saem também desse lado tradicional. Agora na geração digital já tem gente pintando em programa especiais para tinta, para pinturas. É possível que as gerações futuras não tenham mais o contato físico com a tinta”, especula.

Humberto ainda fala que tem uma grande admiração com a arte digital, mas não consegue deixar o pincel de lado. “Eu tenho um prazer muito grande em mexer com a tinta, em sentir o cheiro da tinta, a textura da tela, da pressão. Porque pintar na tela, para mim, é como se fosse um arco de violino, como se fosse música e aquilo dança. Meu espírito foi criado ali”, relata o pintor.

Dicas para quem quer investir em criptoarte

Fabiano Nagamatsu separou as principais dicas para quem deseja produzir e comprar criptoarte:

  • Analise bem a plataforma que vai investir em criptoarte. Verifique a reputação o tipo de arte que é oferecido nela. Se não souber avaliar, procure um especialista para te orientar;
  • Veja se a plataforma tem interoperabilidade, ou seja, se é fechada somente em marketplaces do Brasil ou tem integração com os principais marketplaces do mundo, como OpenSea, por exemplo. Isso garante mais visibilidade e principalmente valorização do NFT adquirido ou ofertado;
  • Antes de entrar no mercado de NFT, leia bastante sobre o assunto e verifique qual é a base das principais plataformas de NFT (a mais segura atualmente é ETH Blockchain)
  • Analise a parte de compliance das plataformas de NFT. A parte de smart contrat (contratos inteligentes) que a plataforma possui (regras escritas em linguagem de programação) que facilite a popularização dos criptoativos e reforça a negociação ou desempenho de um contrato, proporcionando mais confiabilidade em transações online.
  • Veja quais artistas já divulgaram na plataforma e quais foram os resultados obtidos no Brasil e fora.
Desenhos digitais estão cada vez mais em alta (Foto: Reprodução)

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