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Vídeo: Cadela tenta ajudar ‘amigo’ que morreu atropelado em SP

Uma cena comovente foi registrada em vídeo por uma estudante de Sorocaba, no interior de São Paulo. Um cachorro da raça pastor alemão foi atropelado por um carro e uma cadela de tamanho menor tenta socorrê-lo sem perceber que o “amigo” já estava morto. O acidente aconteceu na rua Jorge Tibiriçá de Piratininga, na Vila […]

Arquivo Publicado em 25/06/2014, às 13h42

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Uma cena comovente foi registrada em vídeo por uma estudante de Sorocaba, no interior de São Paulo. Um cachorro da raça pastor alemão foi atropelado por um carro e uma cadela de tamanho menor tenta socorrê-lo sem perceber que o “amigo” já estava morto. O acidente aconteceu na rua Jorge Tibiriçá de Piratininga, na Vila Gabriel, por volta das 20 horas desta segunda-feira.

De acordo com a estudante Isabele Leite, de 17 anos, que foi quem fez o vídeo, por quase três horas a cachorra tentou socorrer o “amigo”. A ação do bichinho emocionou os moradores do bairro. Ela chegava do trabalho quando se deparou com a cena. Os dois animais sempre eram vistos juntos na vizinhança. No vídeo a cachorra tenta reanimar o amigo latindo, lambendo a cara dele e também tocando nele com as patas.

“Durante o jogo do Brasil uma vizinha colocou o cachorro que morreu dentro de casa, porque ele estava com medo dos rojões. Só ele. Mas depois ela soltou e ele foi todo contente brincar com a cachorrinha. Pouco tempo depois ele foi atropelado”, conta Isabele.

A estudante diz ainda que um casal estava no carro que atingiu o animal. “Eles tentaram socorrer o cachorro, mas ele morreu na hora. Eles até abraçaram ele e saíram daqui chorando”, disse. Dona de dois cães da raça pit bull, Isabele diz que chorou ao ver a cena. “Eu chorei, minha mãe chorou, todo mundo ficou triste e impressionado com a reação da cachorra. Quando outros cachorros passavam pela rua ela ia correndo até eles e voltava do lado do amigo que morreu. Parece que queria contar o que aconteceu”.

De acordo com o médico veterinário Giovani Araújo, os cães são considerados animais evoluídos e com grau de inteligência significativa. Mas ainda ficam atrás dos golfinhos, que são considerados os mais inteligentes do reino animal tendo uma linguagem própria e estrutura social formada. Estudos revelam que os cães sentem carinho e cuidam de entes queridos. O veterinário explica que os cachorros têm a visão de que a morte é algo natural, mas sofrem com a perda.

“A gente acredita que os cães são animais racionais e que tentam buscar solução para os problemas. Neste caso ele sofreu com o acontecido, tentou ajudar e tentou chamar alguém para ajudar. É difícil fazer uma avaliação de inteligência, é muito subjetivo e difícil de medir. O que é ser inteligente? É saber resolver um teste de matemática ou conseguir resolver situações difíceis?”, exemplifica.

Ele lembra que há cerca de dez dias atendeu um caso parecido na cidade de Jaú, onde é proprietário de um hospital veterinário. “Um cachorro caiu na piscina de uma casa e não conseguia sair. Outro cachorro conseguiu ‘chamar’ o dono que socorreu o amigo e ele passa bem”.

Araújo diz ainda que, com a perda, os cães podem ficar sem comer, apresentar baixa imunidade e, com isso, até manifestar moléstias que antes já estavam incubadas, como a doença do carrapato (erliquiose). Segundo ele, ainda não há como avaliar se com o tempo os cães esquecem as perdas que sofreram, mas ele acredita que sim e cita o filme norte americano Hachiko: A Dog’s Story, de 2009, que recebeu o título Sempre ao seu lado no Brasil. Baseado em uma história real, o filme mostra a lealdade de um cão com seu dono.

Isabele não sabe o que aconteceu com os dos dois cachorros. Ela acredita que o animal morto tenha sido enterrado por uma vizinha em um terreno do bairro e que a cachorra permaneceu nas ruas.



Jornal Midiamax