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Vacinação contra HPV para meninas divide especialistas

A partir da próxima semana, a vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) passa a integrar o calendário de vacinação e será ofertada pela rede pública a meninas com idade entre 11 e 13 anos. Em 2015, a vacina passa a ser oferecida para meninas de 9 a 11 anos. O governo defende a medida […]

Arquivo Publicado em 04/03/2014, às 13h37

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A partir da próxima semana, a vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) passa a integrar o calendário de vacinação e será ofertada pela rede pública a meninas com idade entre 11 e 13 anos.


Em 2015, a vacina passa a ser oferecida para meninas de 9 a 11 anos.


O governo defende a medida afirmando que ela permitirá reduzir a incidência do câncer de colo de útero – ou câncer cervical.


O colo do útero é a parte mais baixa e estreita do útero, que tem duas partes: o corpo do útero (onde o bebê se desenvolve) e o colo, que liga o útero à vagina.


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014 deverão ser diagnosticados cerca de 15.000 novos casos da doença no Brasil – para comparação, o câncer de mama deverá ter 57.000 novos casos em 2014.


Grande parte dos questionamentos contra a vacinação vem do fato de que não há evidências científicas conclusivas de que o HPV seja o “causador” do câncer de colo de útero – o que está bem comprovado é uma “associação” entre a infecção pelo HPV e o câncer, e não uma causalidade.


“Desde 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que a persistência da infecção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV) em altas cargas virais representa o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. Sabe-se também que a infecção pelo HPV é essencial, mas não suficiente para a evolução do câncer. Além da tipagem [são cerca de 140 tipos de vírus HPV] e da carga viral do HPV, adquire importância a associação com outros fatores de risco que atuam como co-fatores, tais como a paridade elevada, o início precoce da atividade sexual e o número de parceiros sexuais,” relata a publicação oficial sobre o câncer de colo de útero disponível no site do INCA.


Muita cautela


Para o diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Daniel Knupp, a estratégia deve ser vista com ressalva e muita cautela.


Ele explica que a inclusão da dose no calendário nacional preocupa em razão do debate científico sobre a eficácia e a segurança da vacina.


Segundo Knupp, diversas pesquisas demonstram, por exemplo, que a imunização pode provocar, entre outros efeitos colaterais, o aumento de doenças autoimunes como o diabetes tipo 1.


Outro problema, de acordo com o especialista, trata da realização do chamado rastreamento tradicional de câncer de colo de útero ou papanicolau.


Dados da SBMFC indicam que a cobertura do exame no Brasil está bem abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Menos de 50% das brasileiras com idade entre 25 e 69 anos faz o papanicolau pelo menos uma vez a cada três anos, quando a taxa ideal seria pelo menos 80%.


Assim, um empenho no exame tradicional poderia trazer os benefícios de prevenção do câncer de colo de útero, sem trazer os riscos envolvidos com a vacinação em massa das crianças.


“A vacinação não substitui o rastreamento tradicional. Ela não elimina as lesões [que provocam o câncer], apenas diminui a incidência delas. Se a população for vacinada e deixar de fazer os exames preventivos, ela pode ter piores consequências do que se não tivesse se submetido à vacina,” afirmou o Dr. Daniel.


Iniciação sexual precoce


Outro questionamento que vem sendo levantado em termos mundiais contra a vacinação contra o HPV é o fato de seu direcionamento para crianças, quando o vírus é sexualmente transmissível.


A preocupação é que a vacinação possa induzir à iniciação sexual mais cedo por falta de esclarecimento sobretudo das adolescentes – lembrando que a iniciação sexual precoce é outro fator de risco para o câncer cervical apontado pelo INCA.

Jornal Midiamax