Israel prosseguia com os bombardeios neste sábado (12) à Faixa de Gaza e intensificava os preparativos para um possível ataque terrestre, no quinto dia de uma ofensiva aérea que matou mais de 120 palestinos.

Correspondentes da AFP observaram dezenas de tanques israelenses em deslocamento na sexta-feira e neste sábado para a fronteira com Gaza.

No território palestino de 360 quilômetros quadrados as ruas estavam desertas, com exceção dos cortejos fúnebres sob um calor sufocante. Pelo menos 22 palestinos morreram neste sábado nos bombardeios israelenses. Até o momento, a operação “Protective Edge” (“Barreira Protetora”) deixou 127 mortos e 940 feridos, a maioria civis.

Entre as vítimas dos ataques estão dois sobrinhos do ex-primeiro-ministro do movimento islamita palestino Hamas, Ismail Haniyeh, segundo vizinhos.

O exército israelense anunciou que afetou significativamente as capacidades do Hamas, o movimento islamita palestino que controla a Faixa de Gaza, um território com 1,2 milhão de habitantes e com índice de pobreza de 39% da população, segundo o FMI.

A aviação atingiu 158 objetivos vinculados ao Hamas em 24 horas na Faixa de Gaza, incluindo 68 lança-foguetes, 21 bases paramilitares e esconderijos de armas, um deles dissimulado dentro de uma mesquita, segundo um comunicado militar.

Contatos diplomáticos

O Hamas lançou desde a meia-noite nove foguetes contra Israel e dois foram interceptados pelo sistema de defesa antiaéreo “Iron Dome”. Desde o início das hostilidades, 530 foguetes atingiram Israel e 138 foram destruídos em pleno voo, o deixou mais de 10 feridos, mas não provocou vítimas fatais.

Em um esforço diplomático para tentar acabar com a violência, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para oferecer a mediação.

Mas em uma entrevista coletiva em Tel Aviv na sexta-feira (11), Netanyahu disse que Israel resistirá a qualquer interferência internacional. “Nenhuma pressão internacional nos impedirá de atacar, com toda nossa força, as organizações terroristas que proclamam nossa destruição”, declarou Netanyahu.

Reunião no domingo

Os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha se reunirão no domingo em Viena, onde devem abordar a ofensiva em Gaza. O presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, advertiu neste sábado que uma escalada no conflito entre Israel e Gaza custaria mais “vidas inocentes”. O Egito, mediador tradicional nos conflitos entre Israel e Hamas, permanece mais neutro na atual crise.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo. Mas tanto Netanyahu como o dirigente do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, não parecem dispostos a aceitar uma trégua no momento. Em pé de guerra Os preparativos para um possível ataque por terra prosseguiam e mais de 30.000 reservistas foram mobilizados.

“Estamos preparando as próximas etapas da operação. para que as forças estejam preparadas para entrar no território”, declarou neste sábado o porta-voz do exército israelense, general Almoz Moti.

Dois soldados israelenses ficaram feridos em um ataque com míssil antitanque perto da barreira de segurança que separa Israel da Faixa de Gaza, o que ilustra o risco de uma operação terrestre.

Liga Árabe vai se reunir também

A ofensiva de Israel contra Gaza provocou uma onda de protestos dos países árabes. Os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe se reunirão na segunda-feira no Cairo para abordar a crise.

O emissário do Quarteto para o Oriente Médio (ONU, UE, EUA e Rússia), Tony Blair, chegou neste sábado à capital egípcia para participar nas negociações. Com a crise em Gaza, 34 associações humanitárias internacionais apelaram por um cessar-fogo e pelo respeito aos direitos humanos no território palestino.

A Anistia Internacional pediu à ONU uma investigação internacional independente sobre as violações do direito internacional dos dois lados.

Escalada de violência

A mais recente escalada de tensão e violência entre israelenses e palestinos começou com o desaparecimento de três adolescentes israelenses no dia 12 de junho na Cisjordânia. Eles foram sequestrados quando pediam carona perto de Gush Etzion, um bloco de colônias situado entre as cidades palestinas de Belém e Hebron (sul da Cisjordânia) para ir a Jerusalém.

O governo israelense acusou o movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, do sequestro. O Hamas não confirmou nem negou envolvimento. Israel deslocou um grande contingente militar para a área da Cisjordânia, principalmente na cidade de Hebron e arredores. Dezenas de membros do Hamas foram detidos, e foguetes foram disparados da Faixa de Gaza contra Israel.

Os corpos dos três jovens foram encontrados em 30 de junho, com marcas de tiros. Analistas sustentam que eles foram assassinados na noite de seu desaparecimento. A localização dos corpos aumentou a tensão, com Israel respondendo aos disparos feitos por Gaza. No dia seguinte, 1º de julho, um adolescente palestino foi sequestrado e morto em Jerusalém Oriental. A autópsia indicou posteriormente que ele foi queimado vivo.

Israel prendeu seis judeus extremistas pelo assassinato do garoto palestino, e três dos detidos confessaram o crime. Isso reforçou as suspeitas de que a morte teve motivação política e gerou uma onda de revolta e protestos em Gaza.

No dia 8 de julho, após um intenso bombardeio com foguetes contra o sul de Israel por parte de ativistas palestinos, a aviação israelense iniciou dezenas de ataques aéreos contra a Faixa de Gaza. A operação, chamada “cerca de proteção”, tem como objetivo atacar o Hamas e reduzir o número de foguetes lançados contra Israel, segundo um porta-voz israelense.

Os militantes de Gaza responderam aos ataques, disparando foguetes contra Tel Aviv. Por enquanto, só houve registro de mortes entre os palestinos – o sistema antimísseis israelense interceptou boa parte dos disparos lançados contra seu território.

Os combates são os mais sérios entre Israel e os militantes de Gaza desde a ofensiva de seis dias em 2012.