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Espanha: idosa doa meteorito guardado como joia por 82 anos

Uma mulher nonagenária doou aos cientistas um meteorito que caiu em 1931 na cidadezinha de Ardon, na província espanhola de León (noroeste), guardado como uma joia por 82 anos. Rosa González, de 94 anos, tinha 11 quando saiu para fazer compras e “por muito pouco não viu o meteorito, pequeno, de 5,5 gramas”, explica à […]

Arquivo Publicado em 11/04/2014, às 20h00

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Uma mulher nonagenária doou aos cientistas um meteorito que caiu em 1931 na cidadezinha de Ardon, na província espanhola de León (noroeste), guardado como uma joia por 82 anos.

Rosa González, de 94 anos, tinha 11 quando saiu para fazer compras e “por muito pouco não viu o meteorito, pequeno, de 5,5 gramas”, explica à AFP o astrônomo Josep Maria Trigo, do Instituto de Ciências do Espaço, pertencente ao Centro Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) espanhol.

A menina viu “uma grande bola de fogo que foi ouvida e vista em muitas cidades da província de León”, explica o cientista, lembrando que a presença desta bola de fogo foi coberta pela imprensa da época.

“Chamou muito sua atenção” porque era “uma pedra incandescente e durante 82 anos a guardou como um segredo de família”.

“Guardou-a em uma caixinha como uma joia e está intacta como se tivesse caído ontem. Ficamos surpresos com o estado de conservação desta pedrinha de aproximadamente 2 cm”, afirma Trigo, destacando que esta era uma das grandes vantagens da peça: não ter sido alterada pelas mudanças geológicas da Terra, facilitando o seu estudo.

A rocha acabou nas mãos de cientistas depois que o sobrinho de Rosa, José Antonio González, um amante da astronomia, viu o objeto e, pensando que poderia ter algum valor, fez contato com Trigo.

As análises demonstraram que o meteorito Ardon era um meteorito primitivo, um condrito ordinário tipo L, procedente de um asteroide desconhecido.

“O estudo do meteorito Ardon está permitindo conhecer os processos que ocorreram durante a formação do Sistema Solar, mas também durante o processo térmico que seu asteroide progenitor sofreu”, informou o CSIC em um comunicado.

O “condrito ordinário de Rosa é um condrito cuja antiguidade precede à própria Terra, são os blocos primordiais que foram se chocando entre si e foram formando os embriões planetários”, explicou Trigo.

O cientista espera que o anúncio desta descoberta permita levar a outros meteoritos já que, segundo estudos estatísticos, a cada ano deveria cair na Espanha “um meteorito com massa superior a um quilograma”.

Trigo conta que desde a divulgação da descoberta, na última quinta-feira, já tem recebido ligações. “A maioria não será nada, mas podemos ter alguma surpresa promissora”, concluiu.

Jornal Midiamax