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Em meio a crise política, presidente da Ucrânia pede licença médica

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, pediu nesta quinta-feira licença médica devido a uma doença respiratória aguda. O afastamento acontece após o chefe de Estado ceder e aceitar parte das exigências dos manifestantes que querem sua renúncia. Ele se licenciou após acompanhar a sessão do Parlamento que aprovou a lei de anistia aos opositores presos […]

Arquivo Publicado em 30/01/2014, às 12h03

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O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, pediu nesta quinta-feira licença médica devido a uma doença respiratória aguda. O afastamento acontece após o chefe de Estado ceder e aceitar parte das exigências dos manifestantes que querem sua renúncia.


Ele se licenciou após acompanhar a sessão do Parlamento que aprovou a lei de anistia aos opositores presos durante os protestos da semana passada. A medida só entrará em vigor quando os ativistas abandonarem os prédios dos dois ministérios e das administrações regionais que foram ocupados durante as manifestações.


Segundo o chefe de saúde da Presidência, Alexandr Ordu, Yanukovich teve uma infecção respiratória aguda, acompanhada de febre alta. O gabinete não divulgou, no entanto, se há previsão de alta e quando ele será capaz de voltar ao trabalho.


A saída para tratamento médico acontece em meio às negociações com a oposição para dar fim aos protestos, que começaram em novembro após ele rejeitar um acordo com a União Europeia. As manifestações ficaram mais radicais na semana passada, após ele aprovar uma lei que limitava a ação dos ativistas.


Os protestos terminaram em confronto com a polícia, que deixaram três mortos e mais de 500 feridos. Na terça (28), o Parlamento derrubou nove dos 12 artigos da lei, que previa multa e até cinco anos de prisão para ocupação de prédios estatais, bloqueio de ruas e uso de máscaras em protestos.


Pouco antes da votação, houve a renúncia do primeiro-ministro Mykola Azarov e do gabinete de governo. Na noite de quarta (29), o Parlamento aprovou a anistia, que só entrará em vigor se os ativistas deixarem os prédios estatais ocupados.

RESISTÊNCIA


No entanto, os opositores, que boicotaram a votação, dizem que vão continuar nos prédios e querem uma anistia sem condições prévias. O líder do partido nacionalista Svoboda, Oleg Tiagnibok, disse que a nova medida transforma os manifestantes presos em reféns e criticou a falta de debate na votação.


“A oposição se sente enganada. Os manifestantes não deixarão a praça da Independência [principal local de protesto] nem os prédios administrativos”, disse.


Partidários da agremiação ocupam os prédios da prefeitura de Kiev e de dois ministérios, além das sedes das administrações regionais de cidades do oeste ucraniano. Outro líder opositor, Arseni Yatsenyuk, criticou a rapidez do processo, que não permitiu a discussão de deputados opositores.


Já o campeão mundial de boxe Vitali Klitschko acusou o governo de usar a anistia para dar fim aos protestos, sem apresentar uma mudança mais consistente. “O povo tomou as ruas porque quer que a situação mude. Hoje, o problema chave é o confronto entre o povo e o governo. A anistia não é suficiente”, disse.

Jornal Midiamax